Eu canto para ti, amor, à tua espera... Teu nome escrito com ternura sobre as águas... E o teu retrato em cada rua onde não passas, trazendo no sorriso a flor do mes de Maio... Traça o meu destino com o teu, no ar fresco e leve, na brisa do mar alto... Que eu canto para ti esta canção com lágrimas.
domingo, dezembro 26, 2004
Vento...vento antigo
de uma saudade pungente.
sal do mar e maresia ardente,
beijos salpicantes,
fugindo...ondas navegantes.
luar, no alto-mar
vibrando ao sul
de uma aurora distante.
e o fundo do mar
ao alcance da mão, fugindo
para sempre, frenético,
pousando em doce paixão.
areia de nós,
fria ou quente.
espuma de ondas
feita de seda.
palavras de veludo,
dedos de marfim, envoltos
num beijo mudo
cor de prata.
uma lágrima que mata.
acende uma palavra e
deixa-a ao vento...
deixa-a crescer
e sozinha percorrer
as ruas do meu pensamento.
de uma saudade pungente.
sal do mar e maresia ardente,
beijos salpicantes,
fugindo...ondas navegantes.
luar, no alto-mar
vibrando ao sul
de uma aurora distante.
e o fundo do mar
ao alcance da mão, fugindo
para sempre, frenético,
pousando em doce paixão.
areia de nós,
fria ou quente.
espuma de ondas
feita de seda.
palavras de veludo,
dedos de marfim, envoltos
num beijo mudo
cor de prata.
uma lágrima que mata.
acende uma palavra e
deixa-a ao vento...
deixa-a crescer
e sozinha percorrer
as ruas do meu pensamento.
sábado, dezembro 25, 2004
cheiro de mar, do luar,
do teu sonhar espelhado
nas ondas do teu amar.
sonhos desenhados
no desenho do ar,
e um beijo recortado,
suspenso, abraçado
nas manhãs do teu acordar
geometria do teu falar,
os gestos perfeitos
do teu olhar para mim.
....saudades do tempo e do som
de te ouvir respirar.
segredos do teu ondear...
Sombras escondidas
de longas doçuras,
beijos espaçados, ordenados,
outras frescuras...
tu... e a minha saudade
viajante,
electrizante,
na luz da tua claridade.
do teu sonhar espelhado
nas ondas do teu amar.
sonhos desenhados
no desenho do ar,
e um beijo recortado,
suspenso, abraçado
nas manhãs do teu acordar
geometria do teu falar,
os gestos perfeitos
do teu olhar para mim.
....saudades do tempo e do som
de te ouvir respirar.
segredos do teu ondear...
Sombras escondidas
de longas doçuras,
beijos espaçados, ordenados,
outras frescuras...
tu... e a minha saudade
viajante,
electrizante,
na luz da tua claridade.
sexta-feira, dezembro 10, 2004
Nevoeiro... (ou sombras de saudade)
Nevoeiro que se constrói da respiração de quem já não tem luz a habitar-lhe os olhos. O ar escuro e cortante, frio em todos os cantos das mãos. Já é noite nos lábios que se não deixam beijar. Há, ao fundo de um quadro, alguém que se ri; ao fundo de um espelho, uma sombra que se afasta correndo e fugindo na profundidade de um reflexo que em tempos foi palpável, que em tempos conseguiu saber sorrir. Ali... o vento deixou de soprar. O último murmúrio de ar e água esvoaçante desapareceu no teu cabelo. Corres para a praia. Também o mar desisitiu, baixou os braços: não vês a espuma das ondas invadir o areal. As pegadas na areia levantaram voo. As gaivotas agora esqueceram como voar. O Sol teima em não se pôr. Os olhos que tens parecem querer não ser os teus. E queres fugir para quem tem no cabelo todas as ondas de um mar que te enche os olhos de saudade. Para quem tem nos olhos o pôr-do-Sol que não viste do outro lado do horizonte. Queres fugir para quem tem nas mãos as pegadas que deixaste na areia deserta, as tuas pegadas. Tu. Os teus olhos pertencem-lhe. Sabes disso...
Chove nas palmas das tuas mãos. Chove nos teus braços. Levantas-te e sacodes o ar à tua volta. Queres atirar um beijo para longe daí. Sabes a quem o queres atirar. E tens uma parede fria que te arrepia as costas, tens ainda chuva onde não sabes onde tens. Tens ainda olhos para ver o que sabes que queres ver. Ainda. Não tarda será noite. E a luz será outra. Chorar não adianta. Não. Nunca. Já o devias ter aprendido. Assim nunca sairás de onde te perdeste. Acordaste. Por segundos sentiste-te no chão frio de uma rua cheia de armazéns, perto de um rio. Depois foste descobrindo os lençóis onde dormias. Tens um dedo a apontar o escuro no ar. Há traços de luzes no céu, há linhas curvas que pertencem a um beijo que perdeste por um minuto, há figuras que se sobrepõem e caem, desintegram-se à medida que vais passando porque não querem existir se não voltas atrás. O céu hoje parece-te mais claro. Mas não acordaste ainda. Quando olhares pela janela verás que o céu se pintou de escuro para ti. E um fogo que te circunda e cerca os pés e que sobe pelas tuas pernas mas não te queima. Um fogo de ver, um fogo de sentir, um fogo que não vês mas que arde em ti. Em cada beijo que sobe no ar.
O coração que tens à frente parece querer bater dentro de ti, bem perto do que tens metido no peito. Há, no espaço, o desenho de uma sincronia geométrica, linhas paralelas que se deixam cruzar, eletricidade vibrante que choca contra as paredes e se desfaz em partículas minúsculas... Doces nevoeiros de beijos invadem-te os lábios, percorrendo depois o teu corpo, mesmo por debaixo da tua pele. Doces nevoeiros feitos da tua respiração vagueiam por um quarto que não se deixa adormecer. Doces nevoeiros de quem não queres que vá... Doces nevoeiros de quem queres para sempre. No ar, para sempre.
Nevoeiro que se constrói da respiração de quem já não tem luz a habitar-lhe os olhos. O ar escuro e cortante, frio em todos os cantos das mãos. Já é noite nos lábios que se não deixam beijar. Há, ao fundo de um quadro, alguém que se ri; ao fundo de um espelho, uma sombra que se afasta correndo e fugindo na profundidade de um reflexo que em tempos foi palpável, que em tempos conseguiu saber sorrir. Ali... o vento deixou de soprar. O último murmúrio de ar e água esvoaçante desapareceu no teu cabelo. Corres para a praia. Também o mar desisitiu, baixou os braços: não vês a espuma das ondas invadir o areal. As pegadas na areia levantaram voo. As gaivotas agora esqueceram como voar. O Sol teima em não se pôr. Os olhos que tens parecem querer não ser os teus. E queres fugir para quem tem no cabelo todas as ondas de um mar que te enche os olhos de saudade. Para quem tem nos olhos o pôr-do-Sol que não viste do outro lado do horizonte. Queres fugir para quem tem nas mãos as pegadas que deixaste na areia deserta, as tuas pegadas. Tu. Os teus olhos pertencem-lhe. Sabes disso...
Chove nas palmas das tuas mãos. Chove nos teus braços. Levantas-te e sacodes o ar à tua volta. Queres atirar um beijo para longe daí. Sabes a quem o queres atirar. E tens uma parede fria que te arrepia as costas, tens ainda chuva onde não sabes onde tens. Tens ainda olhos para ver o que sabes que queres ver. Ainda. Não tarda será noite. E a luz será outra. Chorar não adianta. Não. Nunca. Já o devias ter aprendido. Assim nunca sairás de onde te perdeste. Acordaste. Por segundos sentiste-te no chão frio de uma rua cheia de armazéns, perto de um rio. Depois foste descobrindo os lençóis onde dormias. Tens um dedo a apontar o escuro no ar. Há traços de luzes no céu, há linhas curvas que pertencem a um beijo que perdeste por um minuto, há figuras que se sobrepõem e caem, desintegram-se à medida que vais passando porque não querem existir se não voltas atrás. O céu hoje parece-te mais claro. Mas não acordaste ainda. Quando olhares pela janela verás que o céu se pintou de escuro para ti. E um fogo que te circunda e cerca os pés e que sobe pelas tuas pernas mas não te queima. Um fogo de ver, um fogo de sentir, um fogo que não vês mas que arde em ti. Em cada beijo que sobe no ar.
O coração que tens à frente parece querer bater dentro de ti, bem perto do que tens metido no peito. Há, no espaço, o desenho de uma sincronia geométrica, linhas paralelas que se deixam cruzar, eletricidade vibrante que choca contra as paredes e se desfaz em partículas minúsculas... Doces nevoeiros de beijos invadem-te os lábios, percorrendo depois o teu corpo, mesmo por debaixo da tua pele. Doces nevoeiros feitos da tua respiração vagueiam por um quarto que não se deixa adormecer. Doces nevoeiros de quem não queres que vá... Doces nevoeiros de quem queres para sempre. No ar, para sempre.
segunda-feira, novembro 01, 2004
Um ano a espreitar o pôr-do-sol de cada palavra, a vê-las amanhecer nas folhas de papel em que fomos escrevendo, a vê-las sorrir e a lacrimejar connosco. Um ano. Tanto passou. Fomo-nos escrevendo por aqui, fomo-nos desenhando também por aqui. Um ano...
Parabéns a todos nós e, claro, a quem teve a ideia de se pôr a postar e a quem se lembrou de nos "arrastar".
Parabéns a todos nós e, claro, a quem teve a ideia de se pôr a postar e a quem se lembrou de nos "arrastar".
quarta-feira, outubro 27, 2004
terça-feira, outubro 26, 2004
Esquece as amarras que te prendem durante o sono e voa para mim. Sonha-me. Estou longe... preciso de ti. Queima a noite à tua volta e corre para mim. Estás cada vez mais aqui, cada vez mais comigo, cada vez mais eu. Atiro-te beijos durante a noite. Também eu queria parar o tempo para te puxar para perto de mim. Fazer-te sorrir. E não voltar a cair. Quero perder-me nas cores com que pintas as tuas palavras, abraçar a tua respiração para poder acordar. Ter-te. No coração do meu coração. Não vou hoje ter o calor das tuas mãos. Quero-te. Por onde caminham os teus olhos? Quero adormecer na tua pele e ficar teu todas as noites... Não quero fugir de ti.
Nunca.
Nunca.
domingo, outubro 03, 2004
Constróis um poema no ar com o teu cabelo todo feito de ondas. Páras-me no tempo e olhas em redor. Estou aqui e não me mexo. Teu. Desenhas nas paredes os primeiros sorrisos da manhã com a leveza breve e doce das tuas palavras. Faz tempo que te não sei. Hoje não durmo. Escrevo. Para ti... para nós. Não quero que nos esqueças, não quero que nos deixes a um canto de nós, a um canto do mar e das ondas. Não nos escondas. Hoje não durmo, escrevo. Lá fora, o ar fresco da noite desce passo a passo, devagar, para se vir encontrar comigo. E é assim que de repente sinto tanto a tua falta. Respiraste. E eu ouvi-te, de olhos fechados ao meu lado. Estás aqui. E onde quer que estejas ou onde quer que vás haverá sempre luz. Hoje encadeaste-me. Num sopro...
sexta-feira, outubro 01, 2004
Cabelos molhados... (insutentável delicadeza do desejo)
Estás longe. Cabelos molhados resistem ao vento. Hoje não te vejo. Esta noite vou escrever-te... só para mim. Vou abrir-te uma página onde te possas deitar com o queixo apoiado nas mãos e ver-me escrever, sorrir para mim. Cabelos molhados resistem ao vento. Enches-me as mãos de te não ver. Ardes. Combustão lenta em mim. És uma vela que se não derrete; não te consomes. Projectas os olhos na parede com a tua luz, fazendo voar sombras de um coração que está longe.
Sei onde estás. Dormes. Profundamente. Tens o cabelo espalhado em leque pela tua almofada. Respiras para a noite, não fechas a porta do quarto. Preferes deixá-la entreaberta. Cabelos molhados resistem ao vento. Agora dormes. Tão doce. Um anjo. Atravessas-me de manhã com os beijos feitos da luz que guardaste durante a noite. Está calor, hoje que não me sei sem pensar em ti.
Calma. O ar cansado. Tudo fica onde está, estático, nem o vento parece ter vontade de soprar. Sorvo o sopro de luz que hoje não tive de ti. À luz do dia. Longe, doce no rumor da noite. Saudades do teu acordar. Saudade do vórtice de ar que deixas atrás de ti e que te levanta no espaço os caracóis esvoaçantes. Cabelos molhados resistem ao vento. Não tive tempo de te querer, ainda. Estás ainda nos meus lábios. Segues-me, sentada neles. És luz. Ar... e água. Em mim. A minha tabela periódica dos elementos e das marés; a clave de Sol das minhas sinfonias compostas em Allegro e Presto. Cabelos molhados resistem ao vento.
És. De noite, de dia. És. Acordas-me, devagar, no rumor dos meus sonhos. Cabelos molhados resistem ao vento. Visto-te, e trago-te comigo. Olho-te, através da janela... és a primeira luz fria da manhã, tens um espelho nos teus olhos e na cor do teu cabelo. Desenho-te e pinto-te com palavras, que no entanto não me chegam para te acabar...faltam aquelas que não tenho ouvido de ti, ou tenho ouvido pouco. És. Já são frias as noites por aqui. Cabelos molhados resistem ao vento. Um dia. Depois outro, e outro... espero por ti. De noite. Um sinal de ti, para mim. Doce. Intermitente. Como um farol.
Hoje, há versos espontâneos na tua voz, há melodias perfumadas nos teus gestos. Eu sei. Eu sei. Horas. Amplas. Ao longe, recua a maré para dar lugar a uma onda maior que as outras. Rebentou. Hoje, as tuas mãos sorriem, rítmicas e oscilantes, às estrelas; há aroma de anjo no teu andar. Não te afastes da Primavera. Nem de mim.
Silêncio. Flutuante sobre a água. Ondas dispersas. O mar. Hoje a noite está quieta. E cabelos molhados resistem ao vento... resistem ao vento. Espero pelo teu gesto no olhar doloroso da Lua.
A insustentável delicadeza do desejo nasce do beijo com que o mar desprende as areias...
Estás longe. Cabelos molhados resistem ao vento. Hoje não te vejo. Esta noite vou escrever-te... só para mim. Vou abrir-te uma página onde te possas deitar com o queixo apoiado nas mãos e ver-me escrever, sorrir para mim. Cabelos molhados resistem ao vento. Enches-me as mãos de te não ver. Ardes. Combustão lenta em mim. És uma vela que se não derrete; não te consomes. Projectas os olhos na parede com a tua luz, fazendo voar sombras de um coração que está longe.
Sei onde estás. Dormes. Profundamente. Tens o cabelo espalhado em leque pela tua almofada. Respiras para a noite, não fechas a porta do quarto. Preferes deixá-la entreaberta. Cabelos molhados resistem ao vento. Agora dormes. Tão doce. Um anjo. Atravessas-me de manhã com os beijos feitos da luz que guardaste durante a noite. Está calor, hoje que não me sei sem pensar em ti.
Calma. O ar cansado. Tudo fica onde está, estático, nem o vento parece ter vontade de soprar. Sorvo o sopro de luz que hoje não tive de ti. À luz do dia. Longe, doce no rumor da noite. Saudades do teu acordar. Saudade do vórtice de ar que deixas atrás de ti e que te levanta no espaço os caracóis esvoaçantes. Cabelos molhados resistem ao vento. Não tive tempo de te querer, ainda. Estás ainda nos meus lábios. Segues-me, sentada neles. És luz. Ar... e água. Em mim. A minha tabela periódica dos elementos e das marés; a clave de Sol das minhas sinfonias compostas em Allegro e Presto. Cabelos molhados resistem ao vento.
És. De noite, de dia. És. Acordas-me, devagar, no rumor dos meus sonhos. Cabelos molhados resistem ao vento. Visto-te, e trago-te comigo. Olho-te, através da janela... és a primeira luz fria da manhã, tens um espelho nos teus olhos e na cor do teu cabelo. Desenho-te e pinto-te com palavras, que no entanto não me chegam para te acabar...faltam aquelas que não tenho ouvido de ti, ou tenho ouvido pouco. És. Já são frias as noites por aqui. Cabelos molhados resistem ao vento. Um dia. Depois outro, e outro... espero por ti. De noite. Um sinal de ti, para mim. Doce. Intermitente. Como um farol.
Hoje, há versos espontâneos na tua voz, há melodias perfumadas nos teus gestos. Eu sei. Eu sei. Horas. Amplas. Ao longe, recua a maré para dar lugar a uma onda maior que as outras. Rebentou. Hoje, as tuas mãos sorriem, rítmicas e oscilantes, às estrelas; há aroma de anjo no teu andar. Não te afastes da Primavera. Nem de mim.
Silêncio. Flutuante sobre a água. Ondas dispersas. O mar. Hoje a noite está quieta. E cabelos molhados resistem ao vento... resistem ao vento. Espero pelo teu gesto no olhar doloroso da Lua.
A insustentável delicadeza do desejo nasce do beijo com que o mar desprende as areias...
domingo, setembro 26, 2004
Trifásico
I
Ali. No canto... uma sombra tua deixou-me cair um sorriso, que me chegou embrulhado num pedaço branco de papel já gasto, já cansado de viajar transportando sorrisos. Olhei para ele. Esperei que pairasse à minha frente, suspenso, leve no ar quente da manhã. Apanhei-o, guardei-o bem junto a mim. Hoje ainda o tenho. Mãos que se olham, sempre, querendo entrelaçar-se todos os minutos. À noite. Calor. Hoje. No ar, a lentidão tépida que nos envolve em quentes abraços, a calma clara de luz que invade as paredes brancas dos quartos e os telhados dos prédios em redor. Uma manta no chão. Silêncio. Tu. Doce, à luz do ar. Beijo-te... Sei-te, de olhos fechados, sem mapas nem GPS nem outros sistemas de navegação. O único meio de que me sirvo são os teus caracóis escuros, ondeantes, abertos sobre um par de almofadas, no chão. Por eles caminho com os dedos, afastando-os para chegar a lábios que tanto quero beijar; por eles sei onde estás. Longe, ou perto... Com eles vou desvendando o silêncio que existe de manhã ao acordar. Páginas soltas, saudade nas linhas do papel onde escrevo.
II
À noite dormes. Tão longe... e distante. Fora de mim, de ti, de tudo o que está e que nos envolve. Completamente. Fecho portas entreabertas. Fecho aspas, chavetas, parêntesis curvos e rectos. Estamos sozinhos. Qual era o segredo? Dormes. Profundamente. Nem o vento que passa pelos teus caracóis abertos para a noite te faz estremecer, sequer um pequeno movimento de olhos. Dormes. Hoje não estás. Dormes. Eu sei, eu sei... tão doce, tão leve, suspiras para o ar a respiração que hoje conheço tão bem. Sigo-te. Para onde fores. E quando não puder ir, roubo-te um bocadinho do teu coração, levo-o comigo e guardo-o ao lado do meu... À noite dormes. Tão longe... e distante. Sei-te. Quando dormes perco-te. Não te sei. Tão longe... e distante. Bateu-me à porta o sono. Agora. Fecho os olhos. Vou dormir... agora. Até já.
III
Tu. Suspensa no vento quente de um fim de tarde. Tu. Adoro os sorrisos que usas. Sempre. E os olhos que vais acendendo, para eu te ver, ao longe, cheios da luz e da cor que tenho na palma da minha mão; trazidos no movimento claro de duas madeixas de ondas escuras que acabam de rebentar, desfeitas em espuma... Adoro os sorrisos que usas. Sempre.Abro a minha janela para o ar leve da noite. Espero ver-te passar, voando, perto daqui, só para te dizer que te quero. Muito. Mesmo que não consigas ouvir. Já o sabes. Sempre. Espero. Gosto de estar à janela em noites quentes. Sentir o calor de um dia subir em direcção à Lua. Abraçá-la para que não tenha frio, lá do alto, longe, onde só chegamos com os nossos olhares. Tu. Suspensa no vento quente de um fim de tarde. O teu cabelo ao Sol. Quero largar a caneta e correr à janela, espreitar para ver se estás... Quero ver-te à luz da noite.
I
Ali. No canto... uma sombra tua deixou-me cair um sorriso, que me chegou embrulhado num pedaço branco de papel já gasto, já cansado de viajar transportando sorrisos. Olhei para ele. Esperei que pairasse à minha frente, suspenso, leve no ar quente da manhã. Apanhei-o, guardei-o bem junto a mim. Hoje ainda o tenho. Mãos que se olham, sempre, querendo entrelaçar-se todos os minutos. À noite. Calor. Hoje. No ar, a lentidão tépida que nos envolve em quentes abraços, a calma clara de luz que invade as paredes brancas dos quartos e os telhados dos prédios em redor. Uma manta no chão. Silêncio. Tu. Doce, à luz do ar. Beijo-te... Sei-te, de olhos fechados, sem mapas nem GPS nem outros sistemas de navegação. O único meio de que me sirvo são os teus caracóis escuros, ondeantes, abertos sobre um par de almofadas, no chão. Por eles caminho com os dedos, afastando-os para chegar a lábios que tanto quero beijar; por eles sei onde estás. Longe, ou perto... Com eles vou desvendando o silêncio que existe de manhã ao acordar. Páginas soltas, saudade nas linhas do papel onde escrevo.
II
À noite dormes. Tão longe... e distante. Fora de mim, de ti, de tudo o que está e que nos envolve. Completamente. Fecho portas entreabertas. Fecho aspas, chavetas, parêntesis curvos e rectos. Estamos sozinhos. Qual era o segredo? Dormes. Profundamente. Nem o vento que passa pelos teus caracóis abertos para a noite te faz estremecer, sequer um pequeno movimento de olhos. Dormes. Hoje não estás. Dormes. Eu sei, eu sei... tão doce, tão leve, suspiras para o ar a respiração que hoje conheço tão bem. Sigo-te. Para onde fores. E quando não puder ir, roubo-te um bocadinho do teu coração, levo-o comigo e guardo-o ao lado do meu... À noite dormes. Tão longe... e distante. Sei-te. Quando dormes perco-te. Não te sei. Tão longe... e distante. Bateu-me à porta o sono. Agora. Fecho os olhos. Vou dormir... agora. Até já.
III
Tu. Suspensa no vento quente de um fim de tarde. Tu. Adoro os sorrisos que usas. Sempre. E os olhos que vais acendendo, para eu te ver, ao longe, cheios da luz e da cor que tenho na palma da minha mão; trazidos no movimento claro de duas madeixas de ondas escuras que acabam de rebentar, desfeitas em espuma... Adoro os sorrisos que usas. Sempre.Abro a minha janela para o ar leve da noite. Espero ver-te passar, voando, perto daqui, só para te dizer que te quero. Muito. Mesmo que não consigas ouvir. Já o sabes. Sempre. Espero. Gosto de estar à janela em noites quentes. Sentir o calor de um dia subir em direcção à Lua. Abraçá-la para que não tenha frio, lá do alto, longe, onde só chegamos com os nossos olhares. Tu. Suspensa no vento quente de um fim de tarde. O teu cabelo ao Sol. Quero largar a caneta e correr à janela, espreitar para ver se estás... Quero ver-te à luz da noite.
terça-feira, setembro 21, 2004
1.5.0.9.0.4
Noite. De novo. Dois corações batem juntos debaixo da humidade fria de uma noite de Setembro. As palavras, com frio, juntam-se aninhadas em frases quentes, conjunções e locuções sobem pelo ar adentro. Olhares que se cruzam, primeiro longe, depois caminhando já em passos rápidos ao encontro uns dos outros. Intermináveis. Doces. Quentes. Na areal claro dos teus sorrisos, o mar de ondas negras levanta-se com a brisa que acordou já tarde na noite... Cascatas perfeitas de negros caracóis pendentes soltam a espuma vibrante na pele morena de ombros escondidos, longe de tudo, quase indiferentes. Ou quem sabe mais perto do que se imagina. Noite, ainda. Palavras que se atiram como beijos que se não deram ainda, que esperam ainda algures, impacientes, frenéticos, na fila de espera já longa de lábios que teimam em não se tocar... tanto para dizer. Tanto para olhar, tanto silêncio para se usar. Milhares de ondas escuras, aos pares, levadas ao vento, ainda por marear; tanto pôr-do-sol do outro lado para se ver... tanto, tanto...
Olhos descaídos. Aqui. Eu só...? Não. Um sorriso. Tu aqui. Ao meu lado. Presente. Finalmente. "Ele queria vê-la. Agora." E o agora tão perto, tão perto, depois do longe... Bastava esticar o braço, devagar, depois a mão; abri-la para a humidade fria de uma noite de Setembro, fechar os olhos, bem fechados, abraçar as pálpebras por uns segundos, não as deixar abrir. Noite. De novo. Depois das palavras, depois do fim, o retorno ao princípio. Uns segundos em rewind, sem ordem, sem regras; tudo ao contrário. Foi assim que nos reinventámos, que nos voámos para longe daqui... Beijámos juntos o indizível, aquilo que não nos dizemos nem para nós...
Noite. De novo.
A luz, o mar e o vento. Tu...
Abrir a mão e resgatar tudo isto do ar,
num grito e num beijo doce!
Abraça-me. Hoje.
De repente, na noite, de novo, no mar, o azul-trovão espelhado nas ondas de céu. A cor, o movimento de luz diante de nós. Tu.. eu... Parou o tempo! Só o espaço resistiu à explosão, sem ferimentos, intacto. Uma noite. A nossa. O plano-convexo de cada areal vazio, de cada olhar perdido no escuro de nós, hoje esquecidos. Tudo me sabe a ti, perto de estares aqui. Uma noite. De novo. De novo. De novo. Para sempre...
Noite. De novo. Dois corações batem juntos debaixo da humidade fria de uma noite de Setembro. As palavras, com frio, juntam-se aninhadas em frases quentes, conjunções e locuções sobem pelo ar adentro. Olhares que se cruzam, primeiro longe, depois caminhando já em passos rápidos ao encontro uns dos outros. Intermináveis. Doces. Quentes. Na areal claro dos teus sorrisos, o mar de ondas negras levanta-se com a brisa que acordou já tarde na noite... Cascatas perfeitas de negros caracóis pendentes soltam a espuma vibrante na pele morena de ombros escondidos, longe de tudo, quase indiferentes. Ou quem sabe mais perto do que se imagina. Noite, ainda. Palavras que se atiram como beijos que se não deram ainda, que esperam ainda algures, impacientes, frenéticos, na fila de espera já longa de lábios que teimam em não se tocar... tanto para dizer. Tanto para olhar, tanto silêncio para se usar. Milhares de ondas escuras, aos pares, levadas ao vento, ainda por marear; tanto pôr-do-sol do outro lado para se ver... tanto, tanto...
Olhos descaídos. Aqui. Eu só...? Não. Um sorriso. Tu aqui. Ao meu lado. Presente. Finalmente. "Ele queria vê-la. Agora." E o agora tão perto, tão perto, depois do longe... Bastava esticar o braço, devagar, depois a mão; abri-la para a humidade fria de uma noite de Setembro, fechar os olhos, bem fechados, abraçar as pálpebras por uns segundos, não as deixar abrir. Noite. De novo. Depois das palavras, depois do fim, o retorno ao princípio. Uns segundos em rewind, sem ordem, sem regras; tudo ao contrário. Foi assim que nos reinventámos, que nos voámos para longe daqui... Beijámos juntos o indizível, aquilo que não nos dizemos nem para nós...
Noite. De novo.
A luz, o mar e o vento. Tu...
Abrir a mão e resgatar tudo isto do ar,
num grito e num beijo doce!
Abraça-me. Hoje.
De repente, na noite, de novo, no mar, o azul-trovão espelhado nas ondas de céu. A cor, o movimento de luz diante de nós. Tu.. eu... Parou o tempo! Só o espaço resistiu à explosão, sem ferimentos, intacto. Uma noite. A nossa. O plano-convexo de cada areal vazio, de cada olhar perdido no escuro de nós, hoje esquecidos. Tudo me sabe a ti, perto de estares aqui. Uma noite. De novo. De novo. De novo. Para sempre...
sexta-feira, setembro 10, 2004
Simetrias (noite)
O chão. A terra. De noite, a marca longitudinal do amanhã. O grito da luz, imagens difusas ao redor, volteando frenéticas; a humidade. Passos estridentes no silêncio das ruas. Paralelismos imperfeitos. Luar. Janelas e varandas que se debruçam do alto das telhas e quase nos atingem. Paredes frias, congeladas no tempo. Um rio ao longe, ou bem mais perto do que parece. Perto, a voz dormente de um corpo adormecido. Aqui e ali... ou por todo o lado. Toda a obliquidade prevista hoje não quis aparecer. Furacões a descansar. Cristais de um feixe de luz escura, invisíveis; cartas em branco espalhadas num mesa, sem selos. Praças mostrando o umbigo das cidades, quase perdendo a vontade de estar. Ficar. Adeus. Domingo à noite. Ou Quarta-Feira. Passos atrasados. Uma rua que sobe. Outra que desce. Não se encontram. Choram. Ninguém as escreve. E eu também não. Não há luz, dizem. Quero lá saber... Noite, sempre noite. Elas não sabem - é sempre a mesma - e eu não lhes digo. Música. Um gato escorrega ao sair de um caixote do lixo, depois da ceia. Parte o pescoço. Bem feito. Becos sem saída - é noite diante de nós. Alguém diz que num quarto escuro não se pode ver nada. Pura irresponsabilidade. Num quarto escuro pode ver-se a escuridão. Um rasto de tudo, espalhado pelos pontos cardeais. Chiu. Um casal que discute na rua; cospem-se. Merda. Ai. Chuva. Tanto barulho! Fora daqui, gritam todos. E de novo o turbilhão de ar que ousamos respirar, a onda gigante que teimamos em ver passar, em testemunhar... intersecções subterrâneas de mim, escondidas por uma derrapagem aventureira que acabou de ter lugar algures fora da minha janela. Silêncio. É noite. Tudo dorme. Tudo? Eu não, e tu? Cala-te. Não era para responderes. Burra.
O chão. A terra. De noite, a marca longitudinal do amanhã. O grito da luz, imagens difusas ao redor, volteando frenéticas; a humidade. Passos estridentes no silêncio das ruas. Paralelismos imperfeitos. Luar. Janelas e varandas que se debruçam do alto das telhas e quase nos atingem. Paredes frias, congeladas no tempo. Um rio ao longe, ou bem mais perto do que parece. Perto, a voz dormente de um corpo adormecido. Aqui e ali... ou por todo o lado. Toda a obliquidade prevista hoje não quis aparecer. Furacões a descansar. Cristais de um feixe de luz escura, invisíveis; cartas em branco espalhadas num mesa, sem selos. Praças mostrando o umbigo das cidades, quase perdendo a vontade de estar. Ficar. Adeus. Domingo à noite. Ou Quarta-Feira. Passos atrasados. Uma rua que sobe. Outra que desce. Não se encontram. Choram. Ninguém as escreve. E eu também não. Não há luz, dizem. Quero lá saber... Noite, sempre noite. Elas não sabem - é sempre a mesma - e eu não lhes digo. Música. Um gato escorrega ao sair de um caixote do lixo, depois da ceia. Parte o pescoço. Bem feito. Becos sem saída - é noite diante de nós. Alguém diz que num quarto escuro não se pode ver nada. Pura irresponsabilidade. Num quarto escuro pode ver-se a escuridão. Um rasto de tudo, espalhado pelos pontos cardeais. Chiu. Um casal que discute na rua; cospem-se. Merda. Ai. Chuva. Tanto barulho! Fora daqui, gritam todos. E de novo o turbilhão de ar que ousamos respirar, a onda gigante que teimamos em ver passar, em testemunhar... intersecções subterrâneas de mim, escondidas por uma derrapagem aventureira que acabou de ter lugar algures fora da minha janela. Silêncio. É noite. Tudo dorme. Tudo? Eu não, e tu? Cala-te. Não era para responderes. Burra.
quinta-feira, setembro 09, 2004
...consistências...
Chora. Não aqui, não ao pé de mim. Não suporto ver-te chorar. Procura outro sítio, outro lugar, outra escuridão que não a minha. Chora. Longe, onde não te possa ouvir, longe, bem longe daqui. Lágrimas. Tão doce quando se ama. Tão amargas quando se morre. Tu, ou eu só, envolto na maré de fumo baço ao rubro do teu olhar. Húmido, o chão que piso. Habito-te. Alto no ar, aninhado na rajada de vento mais forte. Chora. Mas não para mim. ou então fica, e deixa-me atirar-te um beijo pelo ar da noite.
Caminhos fechados. O luar. Portas, janelas. Correntes de ar que perderam a força, no último sopro que esmorece vivo em nós. Lábios. A primeira linha de defesa de uma fortaleza tantas vezes explorada. Costas fervilhantes, abertas para o Sol. Pele. O campo subjectivo exposto ao toque das mãos. Olhos. Vidrados na côr de outros olhos, simétricos, suspensos na luz que os habita e que teima em fugir para o escuro. Vozes que pairam, longe. O mar. Que outra voz existe tão profunda e intrigante? Azul, revolto, ondas tombantes em espuma. Areia. E de repente um calor esfusiante que vem de ti, no ar, em órbitas elípticas ao meu redor. Choras. Mas não aqui. Choras... onde estás? Chora, chora mais alto! que não te oiço e te quero ir buscar! Chora. Quero-te.
Chora. Não aqui, não ao pé de mim. Não suporto ver-te chorar. Procura outro sítio, outro lugar, outra escuridão que não a minha. Chora. Longe, onde não te possa ouvir, longe, bem longe daqui. Lágrimas. Tão doce quando se ama. Tão amargas quando se morre. Tu, ou eu só, envolto na maré de fumo baço ao rubro do teu olhar. Húmido, o chão que piso. Habito-te. Alto no ar, aninhado na rajada de vento mais forte. Chora. Mas não para mim. ou então fica, e deixa-me atirar-te um beijo pelo ar da noite.
Caminhos fechados. O luar. Portas, janelas. Correntes de ar que perderam a força, no último sopro que esmorece vivo em nós. Lábios. A primeira linha de defesa de uma fortaleza tantas vezes explorada. Costas fervilhantes, abertas para o Sol. Pele. O campo subjectivo exposto ao toque das mãos. Olhos. Vidrados na côr de outros olhos, simétricos, suspensos na luz que os habita e que teima em fugir para o escuro. Vozes que pairam, longe. O mar. Que outra voz existe tão profunda e intrigante? Azul, revolto, ondas tombantes em espuma. Areia. E de repente um calor esfusiante que vem de ti, no ar, em órbitas elípticas ao meu redor. Choras. Mas não aqui. Choras... onde estás? Chora, chora mais alto! que não te oiço e te quero ir buscar! Chora. Quero-te.
quarta-feira, setembro 08, 2004
De cor
Conheço o amanhecer
dos teus sorrisos.
Sei de cor todas as cores
que me dizes nas primeiras
palavras da manhã.
Tenho a sede da música
que cantas quando abres
os teus braços para mim.
Bebo cada movimento do
teu cabelo, que parece
não ter fim na doçura
e na magia que se levanta
e voa no ar...
Sei-te de cor,
fecho os olhos e voo contigo.
Sei-te de cor,
abro uma página para ti
todos os dias e escrevo-te
um beijo no ar.
Sei-te de cor no meu
coração, nas minhas mãos,
nas minhas lágrimas...
Conheço o amanhecer
dos teus sorrisos.
Sei de cor todas as cores
que me dizes nas primeiras
palavras da manhã.
Tenho a sede da música
que cantas quando abres
os teus braços para mim.
Bebo cada movimento do
teu cabelo, que parece
não ter fim na doçura
e na magia que se levanta
e voa no ar...
Sei-te de cor,
fecho os olhos e voo contigo.
Sei-te de cor,
abro uma página para ti
todos os dias e escrevo-te
um beijo no ar.
Sei-te de cor no meu
coração, nas minhas mãos,
nas minhas lágrimas...
(Blag)
Pensei em ti. Hoje. Desenhei-te, pintei-te, escrevi-te, de mim para mim. Esculpi-te numa pedra de mármore branco, mas um mármore quente e doce, bem diferente de todos os outros. Amei-te, e olha que lá no fundo eu nunca amei tanto assim... Pensei em ti. Sonhei-te, esta manhã, mesmo antes de o Sol me puxar do sono, dos teus braços, hoje mais envolventes da tua ternura. Desvendei-te. Fui descobrindo passo a passo as ondas do teu andar, do teu olhar, do teu mar revolto de segredos. Acordei-te. Acordei-te a meio da noite por te querer de volta, por te querer tanto para mim, por querer tudo o que é teu e tudo o que tocas... Sim, eu sei, acordei-te a meio da noite, mas fi-lo por ter medo de te ter tão longe de mim, por não saber onde estás e por onde andas enquanto dormes. Escrevo-te. Absorvo-te e respiro-te... Dou comigo a pensar em ti com todas as minhas forças, a desenhar-te uma ponte que possas atravesar para me vires dar um beijo. Reinvento-te. Sobrevoo-te. Olho para ti como se te olhasse a última vez antes de partires... Acendo-te. És toda a minha luz, és a vela que acendo para te escrever e para te pensar... Viajo-te, incessantemente, descubro-te de olhos fechados, para te conhecer. Dos teus cabelos aos teus olhos, dos teus sorrisos à pele escura dos teus ombros, imagino-te. E depois amo-te.
Pensei em ti. Hoje. Desenhei-te, pintei-te, escrevi-te, de mim para mim. Esculpi-te numa pedra de mármore branco, mas um mármore quente e doce, bem diferente de todos os outros. Amei-te, e olha que lá no fundo eu nunca amei tanto assim... Pensei em ti. Sonhei-te, esta manhã, mesmo antes de o Sol me puxar do sono, dos teus braços, hoje mais envolventes da tua ternura. Desvendei-te. Fui descobrindo passo a passo as ondas do teu andar, do teu olhar, do teu mar revolto de segredos. Acordei-te. Acordei-te a meio da noite por te querer de volta, por te querer tanto para mim, por querer tudo o que é teu e tudo o que tocas... Sim, eu sei, acordei-te a meio da noite, mas fi-lo por ter medo de te ter tão longe de mim, por não saber onde estás e por onde andas enquanto dormes. Escrevo-te. Absorvo-te e respiro-te... Dou comigo a pensar em ti com todas as minhas forças, a desenhar-te uma ponte que possas atravesar para me vires dar um beijo. Reinvento-te. Sobrevoo-te. Olho para ti como se te olhasse a última vez antes de partires... Acendo-te. És toda a minha luz, és a vela que acendo para te escrever e para te pensar... Viajo-te, incessantemente, descubro-te de olhos fechados, para te conhecer. Dos teus cabelos aos teus olhos, dos teus sorrisos à pele escura dos teus ombros, imagino-te. E depois amo-te.
terça-feira, setembro 07, 2004
Estou além
Estou além... estou Além-Mar. Estou aquém e além de ti. Sorvo-te; toco-te, de novo, outra vez, repetindo os mesmos gestos, voltando sempre ao princípio, para sempre. Estou Além-Mar, na maré que sou e que enche para te ver caminhar na areia ao som da manhã; na onda que sou e que rebenta e se transforma em espuma para te poder beijar... de novo, para sempre.. num suspiro, para sempre.
De que são feitos os teus sonhos? Que terão a dizer as nuvens e pedaços de céu azul que vens pisando para chegar até mim? Quero ver-te... agora. Posso? Faço um voo baixo e triste para fora daqui, mas levo-te comigo, sabendo que te devia deixar escolher onde queres pousar... Mas não, agora não! Agora quero abraçar-te contra o meu coração, ter-te para mim, voar de mim para ti, desabitar-me e mudar-me para onde estiveres!
Sabes-me a maresia, esta noite. Estás Além-Mar. Respiro-te. Fecho os olhos e vejo-te, ondas escuras ao vento, olhos profundos de cor e de luz. Vem-me procurar esta noite, deixa sair as tuas palavras e um beijo teu de maresia para o Sol, para mim... Estou Além-Mar! Estou aquém e além de mim, fujo-me para ti; reencontro-me sempre noutro lugar, quem sabe bem junto a ti, ou no largo estuário azul dos teus sorrisos.
Sei-te. Conheço a tua luz, a tua voz no escuro, as tuas mãos caminhando e cortando o ar. Quis contar um segredo meu ao vento, baixinho, e deixei-o voar para os teus ouvidos, bem longe daqui:
- Escolhe um pôr-do-Sol. É para ti...
Estou além... estou Além-Mar. Estou aquém e além de ti. Sorvo-te; toco-te, de novo, outra vez, repetindo os mesmos gestos, voltando sempre ao princípio, para sempre. Estou Além-Mar, na maré que sou e que enche para te ver caminhar na areia ao som da manhã; na onda que sou e que rebenta e se transforma em espuma para te poder beijar... de novo, para sempre.. num suspiro, para sempre.
De que são feitos os teus sonhos? Que terão a dizer as nuvens e pedaços de céu azul que vens pisando para chegar até mim? Quero ver-te... agora. Posso? Faço um voo baixo e triste para fora daqui, mas levo-te comigo, sabendo que te devia deixar escolher onde queres pousar... Mas não, agora não! Agora quero abraçar-te contra o meu coração, ter-te para mim, voar de mim para ti, desabitar-me e mudar-me para onde estiveres!
Sabes-me a maresia, esta noite. Estás Além-Mar. Respiro-te. Fecho os olhos e vejo-te, ondas escuras ao vento, olhos profundos de cor e de luz. Vem-me procurar esta noite, deixa sair as tuas palavras e um beijo teu de maresia para o Sol, para mim... Estou Além-Mar! Estou aquém e além de mim, fujo-me para ti; reencontro-me sempre noutro lugar, quem sabe bem junto a ti, ou no largo estuário azul dos teus sorrisos.
Sei-te. Conheço a tua luz, a tua voz no escuro, as tuas mãos caminhando e cortando o ar. Quis contar um segredo meu ao vento, baixinho, e deixei-o voar para os teus ouvidos, bem longe daqui:
- Escolhe um pôr-do-Sol. É para ti...
sábado, agosto 28, 2004
Estilhaços ao vento
Viajo uma vez mais entre as folhas do caderno onde escrevo e o cheiro do teu cabelo, dos teus caracóis profundos. Não restam agora mais do que pequenos parrapos tímidos do meu coração, os que sobram da última batalha que travei com os teus doces olhos negros... Cansado, exausto, olho para ti à procura de um canto fresco onde te possa amar descansado. E agora que te peço que me guardes contigo por algum tempo, bem junto a ti, no porto seguro de cada lugar teu, sei-o: não tenho muito tempo para ser só teu.
Hoje, não tenho mais do que pequenos pedaços de vento na minha janela, pedaços teus no meu coração, estilhaços teus abraçados a mim, para sempre. Hoje, voei na doçura de duas madeixas de caracóis que há muito havia perdido. Reencontrei-as esta noite: sorriste. E nos meus lábios o beijo indelével que guardo para ti. Desde sempre.
À noite o vento trespassava o teu cabelo e parecia querer soprar cada fio que caía sobre os teus ombros, com a frescura de cascatas perdidas no meio de florestas insondáveis. Invejo-o, por te poder abraçar sempre, tocar sempre com dedos mais leves que os meus... e que tão docemente te afasta os cabelos da testa, bastando-lhe respirar para te visitar sempre...
Como o mar se precipita para terra,
também eu assim corro para ti...
Viajo uma vez mais entre as folhas do caderno onde escrevo e o cheiro do teu cabelo, dos teus caracóis profundos. Não restam agora mais do que pequenos parrapos tímidos do meu coração, os que sobram da última batalha que travei com os teus doces olhos negros... Cansado, exausto, olho para ti à procura de um canto fresco onde te possa amar descansado. E agora que te peço que me guardes contigo por algum tempo, bem junto a ti, no porto seguro de cada lugar teu, sei-o: não tenho muito tempo para ser só teu.
Hoje, não tenho mais do que pequenos pedaços de vento na minha janela, pedaços teus no meu coração, estilhaços teus abraçados a mim, para sempre. Hoje, voei na doçura de duas madeixas de caracóis que há muito havia perdido. Reencontrei-as esta noite: sorriste. E nos meus lábios o beijo indelével que guardo para ti. Desde sempre.
À noite o vento trespassava o teu cabelo e parecia querer soprar cada fio que caía sobre os teus ombros, com a frescura de cascatas perdidas no meio de florestas insondáveis. Invejo-o, por te poder abraçar sempre, tocar sempre com dedos mais leves que os meus... e que tão docemente te afasta os cabelos da testa, bastando-lhe respirar para te visitar sempre...
Como o mar se precipita para terra,
também eu assim corro para ti...
quinta-feira, agosto 05, 2004
Último Cais
foto de autor desconhecido
Visitar o último cais
dos teus sorrisos,
do teu cabelo.
Um cais deserto
abandonado no alto mar
do teu coração.
Tocado todos os dias
docemente pela espuma
das ondas e pela maresia
quem o vem beijar.
Para lá do pôr-do-sol,
feito de areia, sal,
vento e conchas,
o último cais dos teus
segredos, sobre as ondas
viajantes do nosso
Mar de paixão...
quarta-feira, agosto 04, 2004
Hoje quero sonhar contigo. Sim, quero sonhar contigo a noite toda. Quero deitar-me de noite na areia esquecida pelo Sol e esperar pela primeira aragem quente da manhã. E durante a noite, para não dormir sozinho, vou ter-te bem perto de mim - vou sonhar contigo. Agora que a distância que nos separa é apenas, talvez, um suspiro atirado à maresia dos fins de tarde; agora que nos servimos de todas as cores deste pôr-do-sol para nos olharmos uma última vez; agora que a areia debaixo dos nossos pés aquece a todo o instante, agora... Agora que cada cabelo teu me conta uma história de cinema que nos tem como protagonistas, agora, agora que nos sentamos perto do nosso rio de águas envoltas na névoa clara dos teus beijos. Agora que te quero, como nunca, perto de mim. Respiro agora o ar que trouxe nos pulmões desde a última vez que me deste uma palavra e um sorriso...
Hoje, ocorre-me tropeçar em ti, como se estivesses em cada passo que dou - ou nas minhas pálpebras, que piscam um milhão de vezes quando penso em ti...
foto de Mariana Morna
Hoje, ocorre-me tropeçar em ti, como se estivesses em cada passo que dou - ou nas minhas pálpebras, que piscam um milhão de vezes quando penso em ti...
foto de Mariana Morna
domingo, agosto 01, 2004
Parei o tempo enquanto escrevia, para apanhar uma lágrima que me caía dos olhos... Mas o tempo quis que ela caísse na folha de papel onde escrevo. E morreu perto do sítio onde escrevi o teu nome. Agora, sempre que te leio, há uma outra lágrima a cair onde te tenho, onde por um segundo podes ser minha. Quando te chamo, quando te penso, quando te choro faço-te minha por um tempo, dentro de mim sempre...
Quero cansar-me de nunca me cansar de ti. Esperar que me acendas um sorriso quando não tivermos luz para nós. Desenhar um mapa teu no meu coração, percorrer-te os lábios com os meus... E em silêncio dizer-te o que já sabes, que te amo.
Quero cansar-me de nunca me cansar de ti. Esperar que me acendas um sorriso quando não tivermos luz para nós. Desenhar um mapa teu no meu coração, percorrer-te os lábios com os meus... E em silêncio dizer-te o que já sabes, que te amo.
sexta-feira, julho 30, 2004
Saudade...
Ele queria vê-la. Agora. Ele queria procurá-la, abandonar-se aos passos dela, perseguir a respiração de quem tinha tanto para lhe dizer. Queria perder-se e encontrar o caminho de volta para os lábios dela. Tinha-lhe roubado um sorriso, a medo, primeiro. Depois vieram outros, claro, mas apenas de quando em vez, aleatoriamente, durante muito tempo. Agora todos os dias recebia cartas e encomendas cheias de sorrisos "com muita luz lá dentro". Mas não chegavam, era preciso ir buscar outros sorrisos, aqueles, os primeiros. Depois mais e mais sorrisos, juntá-los aos mais recentes e deixá-los repousar. Repousar? Estranhou. Repousar não! Não se deixam repousar sorrisos! Eles são para se usar, não para guardar num sítio qualquer. Mas agora não era mesmo tempo de usar sorrisos, por isso guardou-os, não num sítio qualquer. O coração não é um sítio qualquer. Serve para guardar sorrisos, entre outras coisas. Tudo o que lhe dizia respeito ele guardava no coração. É o sítio mais seguro, é uma caixa-forte, mas não serve para pôr dinheiro. Não o coração. Lá estavam os lábios dela, os olhos dela, o cabelo, os ombros, os "pois..." dela. Tudo vivia no coração dele, numa agradável e apaixonada vizinhança.
Mas ele queria vê-la. Agora. Agora e sempre. Como o coração não vê, tem de confiar nos que os olhos vêm. "Mas afinal o que é o coração?" - perguntei-lhe. "Não sei." Pois. Ele também não sabia. Sabia só que ele lá estava quando a queria ver. E agora lá batia ele, quase saltando do peito, como se o quisesse desafiar numa corrida, para ver quem chegava primeiro. Pena é que quando assim acontece, nenhum tenha a sorte de ser o vencedor. Ou existe um à partida ou então perdem os dois. Quis andar, caminhar sozinho, ver ninguém cruzar-se com ele. Mas onde podia fazer isso? Dentro dele. Mas como, se a tinha guardado no coração? Não podia estar sozinho. Será que queria mesmo? Não. Ele queria vê-la. Agora. Sentia-lhe as mãos procurarem pelas dele. Irresistívelmente caminhando um para o outro, como duas personagens dos "Episódios da Vida Romântica". Ele próprio via-se como um romântico, mais do tipo fatalista. Queria falar com ela. Vê-la. Não dava. Faltavam alguns minutos e uns pares de segundos. O tempo voava, passava a correr, levado pelo vento leve dos dias quentes de fins de Julho, apenas abrandando com as cores profundas de um pôr-do-sol de Verão. Ele queria vê-la. Correr para ela!
Deixar tudo para trás... "Tudo"? O que era tudo? Mesmo tudo ou quase tudo? Se ficasse com ela, ficaria com mais alguma coisa. O que era bom, no fim de contas. Deixar tudo para trás não era afinal tão mau. O que choca é a radicalidade do "deixar tudo". E ele estava assustado. Não me disse, mas eu sabia que sim, embora ninguém o compreendesse. Quem conseguia prever o que ele pensava, saberia naturalmente que o que ele queria era ser feliz. E ele via uma oportunidade de o ser, pelo menos muito mais tempo do que até então tinha sido. Isso, sim, seria um grande feito! Ele queria tê-la, vê-la todos os dias, olhar para ela indefinidamente, apesar de já não sobrarem nem minutos nem segundos para isso. Pela noite dentro ele chorava. De dia, de noite, chorava. Sozinho. Quando não chorava, desesperava. Friamente, pois ele tinha mudado, aprendera a mostrar muito menos os seus sentimentos, a não mostrar logo as cartas todas. Continuava a sentir muito, claro, mas sabia dosear, embora muito lhe custasse, aquilo que tinha para dizer.
Toda a noite pensava. Ou sonhava. Vivia com tanto "SE..." que chegou a pensar mudar de morada, para um lugar com inquilinos mais calmos e que não levantassem tantos problemas. Mas não. Quis ficar, teria de ficar, pois sabia que no fim de tudo sempre aprenderia qualquer coisa. Mas ele queria vê-la. Ele disse-me, uma noite em que saímos. Isso bastou para que eu perebesse exactamente o que ele verdadeiramente queria e sentia. Queria não ter de se ir embora, queria ficar com ela, queria os amigos... E não queria escolher, porque para ele não se tratava de uma escolha, mas para os outros sim. Depois, foi dormir. Mas dormiu pouco nessa noite. Quase nada. Quando acordou quis vê-la, abraçá-la, olhar para ela como da primeira vez, quase há dois anos atrás. Faltavam ainda menos minutos e quase segundos nenhuns. Era uma contagem descrescente, como a do Ano-Novo, mas não era patrocinada pela Super-Bock. Esta foi patrocinada por lágrimas. Muitas. Se ela gritassem, teriamos de usar algodão nos ouvidos, tal seria o berreiro...
Levantou-se, foi à janela ver se o dia lhe sorria. Mas acabou por não prestar atenção, vidrou os olhos na voz distante mas forte que se apoderara do tímpano, como quem abraça estupidamente um peluche e não o larga. Voltou depois ao novelo que era tudo aquilo que sentia. Voltou a tentar explicar-se, sempre contando com o verde de que se tingia o coração quando sentia que a queria ver. Umas vezes vermelho, outras verde. Sorria sempre que pensava nisto. E aí fica tudo explicado - se ele era assim, também o eram todos os que, como ele, vivam no país da bandeira verde e vermelha. Todos, apenas uns disfarçam melhor que outros.Despediu-se. Quis vê-la um segundo depois. Mandou-lhe uma mensagem, enquanto via televisão. Estou mesmo a imaginá-lo sentado no chão, perto da televisão, de telemóvel na mão, a pensar no que havia de dizer. Não foi difícil. Não teve resposta, mas porque ela não tinha dinheiro. "Melhor assim", disse-me: "Assim pensa mais tempo no que lhe escrevi." Mas ela não sabia de nada... Ele percebia-a, eu sabia. Custava-lhe tanta indecisão, eu sei que custava, mas ele sabia esperar.
Anoiteceu - e ele saiu. Não queria estar em casa, porque em casa podia chorar. Assim, na rua, sabia que não chorava, e isso dava-lhe segurança. Suspirava sempre, de olhar vago e perdido. Estava revoltado. Tinha-se revoltado, tinha esperneado, gritado, mordido os lábios, mas ninguém vira... Não dormiu durante duas noites. Queria vê-la, seguir-lhe os passos, concentrar-se em cada madeixa de caracóis, correr, navegar, estar com ela sempre! Ele queria. Muito. Já não acreditava em "amar". Tinha conseguido. Sempre lutara para deixar de amar. Já não se ama. Já não se chama "amar"... Simplesmente não se dá nome. Há coisas que não devem ter nome. Mesmo ela não devia ter nome. Bastava-lhe sorrir. Esse devia ser o nome dela, ou quem sabe um olhar, um beijo... Ele queria vê-la. Muito. Ele não. EU queria vê-la! Sempre! E grito, e chamo por ela, mesmo que não venha. Não me esqueço, não... Nunca. Choro, também. EU quis correr-lhe os passos, dar-lhe as mãos, tê-la comigo num abraço perdido no tempo e no espaço... E esquecer-me de tudo. EU ousei. Ousem.
Num grito, do Mondego para o Tejo - Quero-te sempre...
quarta-feira, julho 14, 2004
segunda-feira, julho 12, 2004
Olhos
Meus olhos olham
nos olhos os teus olhos...
Ah, doces olhos
que olham os meus.
Olham e olham em silêncio,
nossos olhos.
São olhos que olhamos
e olhos que desejamos,
nos olhos, olhar.
Ah, se eu pudesse olhar
nos teus olhos
como olho para os olhos do mar!
Quiseram meus olhos
respirar teus olhos,
teus olhos sorver,
absorver e reabsorver
teus olhos...
Quiseram teus olhos
acender meus olhos.
Pois os olhos
que são olhos, meu amor,
sabem olhar...
Meus olhos olham
nos olhos os teus olhos...
Ah, doces olhos
que olham os meus.
Olham e olham em silêncio,
nossos olhos.
São olhos que olhamos
e olhos que desejamos,
nos olhos, olhar.
Ah, se eu pudesse olhar
nos teus olhos
como olho para os olhos do mar!
Quiseram meus olhos
respirar teus olhos,
teus olhos sorver,
absorver e reabsorver
teus olhos...
Quiseram teus olhos
acender meus olhos.
Pois os olhos
que são olhos, meu amor,
sabem olhar...
terça-feira, julho 06, 2004
Para ti, o Mar
Acaricío uma vez mais
a doçura das tuas palavras.
A pulsação das tuas sílabas,
um manso prado de águas.
O canto do teu olhar vem-me
seguindo, vem dos lados do mar...
E eu estendo-me ao sol,
no deserto areal de uma praia
num fim de tarde.
Nada está completo sem ti,
sem o silêncio musical dos teus
olhos negros que escutam
a luz da manhã
varrendo o mar...
Quero segurar-me às tuas mãos:
Elas são o sangue
que faz bater o meu coração.
No meu desejo, o sono chegava.
O sono junto a ti, para sempre...
Para mim, o teu olhar quente e doce...
Para ti, o mar...
Ofício triste, o do mar:
trazer-me toda a tua saudade,
que me faz olhá-lo,
à espera que te traga também.
Com as tuas palavras,
com a boca,
com os olhos,
com os dedos,
tenta tocar nos segredos do meu coração.
Outra vez.
segunda-feira, julho 05, 2004
Canto Nocturno
Repousar na cor profunda
dos teus cabelos como quem
se deita no calor da areia,
ao Sol...
Deixar cair a cabeça
no teu colo
e esperar, esperar
ardentemente
por um beijo teu...
Espero por esse sorriso
que tarda em chegar!
Respirar-te durante a noite,
correr à janela
para te ver passar...
Tocar no teu cabelo com os dedos
como se tocasse nas cordas
da minha guitarra...
Gritar, chorar por ti!
Respirar, suspirar...
(Eis a sequência lógica
de corações enamorados)
Ah, como te queria comigo agora!
Sentar-me perto de ti,
olhar-te... sorrir para ti,
chamar por um sorriso teu,
um beijo, uma palavra,
uma lágrima... de ti,
tudo serve para me fazer feliz!
Mas se tudo isso me falta...
Esta noite, quero o escuro
dos teus olhos castanhos.
Quero a seda esfuziante
da tua pele morena...
Sonhar.. sonhar com os caracóis
dos teus cabelos
e neles ver a força
da espuma revoltosa
das ondas do meu Mar-Coração!
Como as ondas se precipitam
para terra,
assim também eu corro para ti...
Envolver-te como nos envolve
o frio da areia
neste noite feita de luar,
da cor inebriante do teu amar...
Para ti...
Para ti, meu amor,
minha estrela da tarde,
o meu canto nocturno..
Existe um lençol de maresia
em cada cantinho
do nosso areal.
Um manto de palavras
feitas de ondas,
de areia,
de marés viajantes.
No nosso lençol de maresia
fomos, de olhos entrelaçados,
descobrindo as nossas palavras...
nelas ouvimos breves suspiros
lançados do outro lado
das ondas do mar.
Hoje, caminhámos descalços
à beira-mar...
Hoje, guardei-te um cantinho
no meu areal...
foto de Paula Morna - Ilha do Sal, Cabo Verde
em cada cantinho
do nosso areal.
Um manto de palavras
feitas de ondas,
de areia,
de marés viajantes.
No nosso lençol de maresia
fomos, de olhos entrelaçados,
descobrindo as nossas palavras...
nelas ouvimos breves suspiros
lançados do outro lado
das ondas do mar.
Hoje, caminhámos descalços
à beira-mar...
Hoje, guardei-te um cantinho
no meu areal...
foto de Paula Morna - Ilha do Sal, Cabo Verde
quinta-feira, julho 01, 2004
quarta-feira, junho 02, 2004
Aurora de recortes
Quis abraçar a tua
onda de seda
que se desvendou
de um recorte teu...
O teu repuxo de
cristais e água...
Uma chama azul
que explode em mim!
Os teus estilhaços
que se apertam contra
o meu coração.
Tu...
A aurora que descansa
em mim todas as manhãs...
A minha estrela cintilante,
o meu outro
sonho,
ondulante...
terça-feira, maio 25, 2004
chuva em mim
Queria guardar uma gota de chuva,
para sempre.
Meus olhos secaram as lágrimas,
as mesmas que me desciam o rosto
e que agora se perderam.
Já não as tenho...
Perdi-as, por ti...
Queria guardar-me
uma gota de chuva,
para chorar
pelo teu regresso,
como choram as nuvens
quando perdem um anjo...
para sempre.
Meus olhos secaram as lágrimas,
as mesmas que me desciam o rosto
e que agora se perderam.
Já não as tenho...
Perdi-as, por ti...
Queria guardar-me
uma gota de chuva,
para chorar
pelo teu regresso,
como choram as nuvens
quando perdem um anjo...
Estrela Minha
Sabes...?
Tenho diante de mim uma estrela.
Vejo-a da minha janela
aberta para a frescura desta noite.
Queria contar-te,
mas quando te sinto perco
as palavras nos bolsos
da minha paixão.
Apenas as reencontro nos sonhos...
Neles, sonho uma estrela de prata,
que brilha à luz do teu olhar.
Brilha, em sonhos feitos das nuvens
que povoam o nosso céu.
Que brilhe sempre para ti,
para que brilhes sempre,
para mim...
Hoje, sonhei uma estrela.
Sonhei-te.
Tenho diante de mim uma estrela.
Vejo-a da minha janela
aberta para a frescura desta noite.
Queria contar-te,
mas quando te sinto perco
as palavras nos bolsos
da minha paixão.
Apenas as reencontro nos sonhos...
Neles, sonho uma estrela de prata,
que brilha à luz do teu olhar.
Brilha, em sonhos feitos das nuvens
que povoam o nosso céu.
Que brilhe sempre para ti,
para que brilhes sempre,
para mim...
Hoje, sonhei uma estrela.
Sonhei-te.
Lágrimas
Caminhaste, olhando o chão...
Correste para te vires sentar
no areal imenso
que beija e abraça as ondas
do mar.
Sentaste-te, olhando para mim.
Quiseste falar,
mas respiraste apenas...
e sorriste.
Uma lágrima saltou,
fugiu caíndo da mágica
negritude dos teus olhos.
Caiu, e foi então que
na areia se abriram dois braços,
dois braços nus,
que a envolveram na quente
ternura da areia.
Entre dois pequenos braços,
a tua lágrima adormeceu.
Olhaste e sorriste...
E eu abracei-te,
para sempre,
sentado na areia que
beija
e abraça as tuas
ondas do mar...
Correste para te vires sentar
no areal imenso
que beija e abraça as ondas
do mar.
Sentaste-te, olhando para mim.
Quiseste falar,
mas respiraste apenas...
e sorriste.
Uma lágrima saltou,
fugiu caíndo da mágica
negritude dos teus olhos.
Caiu, e foi então que
na areia se abriram dois braços,
dois braços nus,
que a envolveram na quente
ternura da areia.
Entre dois pequenos braços,
a tua lágrima adormeceu.
Olhaste e sorriste...
E eu abracei-te,
para sempre,
sentado na areia que
beija
e abraça as tuas
ondas do mar...
quinta-feira, maio 20, 2004
Volta
Salvei-te!
Antes que caísses,
estendi a mão para
te amparar...
Olhaste-me, suspensa.
Os teus olhos abriram-se
então para mim, negros
da paixão
que te aquece o rosto.
E da palma da minha mão
voaste livre,
para o sol imenso
que agora se deita
com o mar.
Salvei-te!
Voaste...
volta!
Antes que caísses,
estendi a mão para
te amparar...
Olhaste-me, suspensa.
Os teus olhos abriram-se
então para mim, negros
da paixão
que te aquece o rosto.
E da palma da minha mão
voaste livre,
para o sol imenso
que agora se deita
com o mar.
Salvei-te!
Voaste...
volta!
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