E de súbito desaba um silêncio, um silêncio
sem ti...
As palavras
"São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras, orvalho apenas.
Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.
Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.
Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?"
Eugénio de Andrade
segunda-feira, junho 13, 2005
segunda-feira, maio 09, 2005
domingo, abril 24, 2005
sábado, abril 23, 2005
sábado, abril 09, 2005
sexta-feira, abril 08, 2005
Voltar
E de novo o sorriso de quem tem ainda tanto para lhe dizer. De novo os lábios de quem está longe mas que não deixa nunca de estar perto. Sempre tão perto, perto sempre. Longe deixa de existir quando se está tão perto. De novo as ondas suspensas em cabelos feitos de mar... de novo um beijo. Um beijo. Nunca o mesmo, nunca igual. Lábios que se não cansam nunca de tocar. Irresistívelmente construíndo outros beijos, outras águas, outros ventos.
De novo, de volta. A ti. E à pele dos teus ombros, à pele das tuas mãos. De novo. Longe não existe quando estás sempre tão perto de mim. Trago-te comigo sempre.
Fazes silêncio na cor dos meus olhos. Palavras não fazem sentido se me olhas assim. Não sei como fazes. Juro que não sei. Respiras o mesmo ar que respiro - o teu. Fazes silêncio com os teus lábios. Fazes silêncio com a pele do teu pescoço. Por onde andam as tuas mãos quando não adormeces com o teu cabelo espalhado nos meus ombros? Ah, voltar a ti como quem volta das ondas do mar para a areia quente. Gosto de voltar a ter-te de novo nos meus lábios. De novo o sabor a vento e a nuvens, o ar eléctrico, o calor dos teus olhos.
Vem sorrir para mim esta noite. A janela está aberta para ti. Sempre.
E de novo o sorriso de quem tem ainda tanto para lhe dizer. De novo os lábios de quem está longe mas que não deixa nunca de estar perto. Sempre tão perto, perto sempre. Longe deixa de existir quando se está tão perto. De novo as ondas suspensas em cabelos feitos de mar... de novo um beijo. Um beijo. Nunca o mesmo, nunca igual. Lábios que se não cansam nunca de tocar. Irresistívelmente construíndo outros beijos, outras águas, outros ventos.
De novo, de volta. A ti. E à pele dos teus ombros, à pele das tuas mãos. De novo. Longe não existe quando estás sempre tão perto de mim. Trago-te comigo sempre.
Fazes silêncio na cor dos meus olhos. Palavras não fazem sentido se me olhas assim. Não sei como fazes. Juro que não sei. Respiras o mesmo ar que respiro - o teu. Fazes silêncio com os teus lábios. Fazes silêncio com a pele do teu pescoço. Por onde andam as tuas mãos quando não adormeces com o teu cabelo espalhado nos meus ombros? Ah, voltar a ti como quem volta das ondas do mar para a areia quente. Gosto de voltar a ter-te de novo nos meus lábios. De novo o sabor a vento e a nuvens, o ar eléctrico, o calor dos teus olhos.
Vem sorrir para mim esta noite. A janela está aberta para ti. Sempre.
segunda-feira, março 21, 2005
Dia Mundial da poesia
para um novo 21/3
para ti
Sair ao vento, respirar.
Mergulhar os dedos na raiz
dos teus cabelos, fugir
para ti.
Agarrar-me ao vento
dos teus lábios.
Há luz dentro e fora
de ti. Há neve nos teus
olhos. E nem eu sei
se lá fora é a chuva
ou são os teus lábios
que vêm bater à minha
janela...
Tatuagem de luz na tua pele,
espiral de cor
o recorte do teu peito.
E assim vejo minhas mãos
sozinhas percorrerem no escuro
o cheiro do teu corpo...
para um novo 21/3
para ti
Sair ao vento, respirar.
Mergulhar os dedos na raiz
dos teus cabelos, fugir
para ti.
Agarrar-me ao vento
dos teus lábios.
Há luz dentro e fora
de ti. Há neve nos teus
olhos. E nem eu sei
se lá fora é a chuva
ou são os teus lábios
que vêm bater à minha
janela...
Tatuagem de luz na tua pele,
espiral de cor
o recorte do teu peito.
E assim vejo minhas mãos
sozinhas percorrerem no escuro
o cheiro do teu corpo...
domingo, fevereiro 27, 2005
(Golden brown texture like sun...)
Sobes as escadas como quem chega a casa... Entras por uma porta que não é a tua, mas estás em casa. E eu estou também. Estive à tua espera como quem espera pelo vento de fim de tarde. Não sei como consegues. Juro que não sei. Estive à tua espera um dia inteiro. Mal te senti sair da cama, mas quando acordei e não vi o teu cabelo na almofada por um segundo quis correr atrás de ti, dos teus caracóis, do calor do teu corpo que não senti perto do meu. Não sei como consegues. Não te tinha visto ainda. E quando chegaste parecia que não te via há uma vida inteira.
E era a primeira vez que te via... chovia lá fora. Tinha os pés molhados, o cabelo húmido. Uma vida inteira sem te ver. Estive à espera um dia inteiro. E na verdade parece hoje que foi mesmo apenas um dia. Não estavas comigo. Chovia e eu tinha os pés molhados. Sentei-me, perdi os meus olhos entre chávenas e copos espalhados numa mesa de café. Voltei a encontrá-los quando chegaste. Sorri. Sorrias, do outro lado, não para mim, talvez para mim, já. Não sei como consegues. Eu vi-te, sorrias, estávas lá, e a partir desse dia estive sempre contigo. Vieste para o meu lado, saíste do papel da fotografia, como no vídeo dos A-ha. E Agora estás comigo, não chove e não te quero deixar.
(...lays me down with my mind she runs...)
Sobes as escadas como quem chega a casa... Entras por uma porta que não é a tua, mas estás em casa. E eu estou também. Estive à tua espera como quem espera pelo vento de fim de tarde. Não sei como consegues. Juro que não sei. Estive à tua espera um dia inteiro. Mal te senti sair da cama, mas quando acordei e não vi o teu cabelo na almofada por um segundo quis correr atrás de ti, dos teus caracóis, do calor do teu corpo que não senti perto do meu. Não sei como consegues. Não te tinha visto ainda. E quando chegaste parecia que não te via há uma vida inteira.
E era a primeira vez que te via... chovia lá fora. Tinha os pés molhados, o cabelo húmido. Uma vida inteira sem te ver. Estive à espera um dia inteiro. E na verdade parece hoje que foi mesmo apenas um dia. Não estavas comigo. Chovia e eu tinha os pés molhados. Sentei-me, perdi os meus olhos entre chávenas e copos espalhados numa mesa de café. Voltei a encontrá-los quando chegaste. Sorri. Sorrias, do outro lado, não para mim, talvez para mim, já. Não sei como consegues. Eu vi-te, sorrias, estávas lá, e a partir desse dia estive sempre contigo. Vieste para o meu lado, saíste do papel da fotografia, como no vídeo dos A-ha. E Agora estás comigo, não chove e não te quero deixar.
(...lays me down with my mind she runs...)
sábado, fevereiro 26, 2005
carta... (esboço)
À luz de uma vela,
os teus olhos perdem-se...
Poesia em flor...
Onde moram as pétalas
do teu peito,
onde mora a água
da tua boca?
Onde está o ar
que respirámos
da última vez que nos
amámos sem princípo
nem fim?
Quando destróis as ondas
do mar com o teu
cabelo, e
com a seda do teu peito,
há sempre um movimento
tectónico algures
no fundo do mar...
E são tantas as ondas
que te rebentam nas mãos...
À luz de uma vela,
os teus olhos perdem-se...
Poesia em flor...
Onde moram as pétalas
do teu peito,
onde mora a água
da tua boca?
Onde está o ar
que respirámos
da última vez que nos
amámos sem princípo
nem fim?
Quando destróis as ondas
do mar com o teu
cabelo, e
com a seda do teu peito,
há sempre um movimento
tectónico algures
no fundo do mar...
E são tantas as ondas
que te rebentam nas mãos...
Teoria da relatividade (ou teoria do amanhã)
Não mais do que hoje, por certo. Apenas hoje. Nem um dia mais, um dia menos.
Hoje é a hora, o tempo sobreposto num corpo quente, que me queima as mãos e os lábios por mais que sopre.
Não mais que hoje... mas se é o amanhã que quero de ti...! Este, aquele, o outro, todos os amanhãs em que quiseres acordar para mim.
Hoje não existe se não existires a menos de 500 metros de mim. (risos) Na verdade não te quero assim tão longe. Longe até demais. Tenho ainda tanto para te dizer à distância de um segredo, tens ainda tanto cabelo meu para despentear, temos tanto tempo para não dizermos nada e olhar um para o outro...
Para que te quero tanto hoje que te não tenho, se te posso ter amanhã? E o amanhã quando estás parece tão inesperado, tão eléctrico, tão cheio de palavras, tão hoje. Eu sei, eu sei: para quê pensar? Para pensar serve o amanhã, não hoje, que não estás. Para nós serve o amanhã, só nós, sem tempo, sem hoje nem amanhã, que o tempo serve para nos afastar...
E as noites são tantas ainda...
Não mais do que hoje, por certo. Apenas hoje. Nem um dia mais, um dia menos.
Hoje é a hora, o tempo sobreposto num corpo quente, que me queima as mãos e os lábios por mais que sopre.
Não mais que hoje... mas se é o amanhã que quero de ti...! Este, aquele, o outro, todos os amanhãs em que quiseres acordar para mim.
Hoje não existe se não existires a menos de 500 metros de mim. (risos) Na verdade não te quero assim tão longe. Longe até demais. Tenho ainda tanto para te dizer à distância de um segredo, tens ainda tanto cabelo meu para despentear, temos tanto tempo para não dizermos nada e olhar um para o outro...
Para que te quero tanto hoje que te não tenho, se te posso ter amanhã? E o amanhã quando estás parece tão inesperado, tão eléctrico, tão cheio de palavras, tão hoje. Eu sei, eu sei: para quê pensar? Para pensar serve o amanhã, não hoje, que não estás. Para nós serve o amanhã, só nós, sem tempo, sem hoje nem amanhã, que o tempo serve para nos afastar...
E as noites são tantas ainda...
domingo, fevereiro 13, 2005
para um novo 14.2...
Coração Polar
1
Não sei de que cor são os navios
quando naufragam no meio dos teus braços
sei que há um corpo nunca encontrado algures no mar
e que esse corpo vivo é o teu corpo imaterial
a tua promessa nos mastros de todos os veleiros
a ilha perfumada das tuas pernas
o teu ventre de conchas e corais
a gruta onde me esperas
com teus lábios de espuma e de salsugem
os teus naufrágios
e a grande equação do vento e da viagem
onde o acaso floresce com seus espelhos
seus indícios de rosa e descoberta.
2
Não sei de que cor é essa linha
onde se cruza a lua e a mastreação
mas sei que em cada rua há uma esquina
uma abertura entre a rotina e a maravilha
há uma hora de fogo para o azul
a hora em que te encontro e não te encontro
há um ângulo ao contrário
uma geometria mágica onde tudo pode ser possível
há um mar imaginário aberto em cada página
não me venham dizer que nunca mais
as rotas nascem do desejo
e eu quero o cruzeiro do sul das tuas mãos
quero o teu nome escrito nas marés,
nesta cidade onde no sítio mais absurdo
num sentido proibido ou num semáforo
todos os poentes me dizem quem tu és.
Manuel Alegre
...para ti...
Coração Polar
1
Não sei de que cor são os navios
quando naufragam no meio dos teus braços
sei que há um corpo nunca encontrado algures no mar
e que esse corpo vivo é o teu corpo imaterial
a tua promessa nos mastros de todos os veleiros
a ilha perfumada das tuas pernas
o teu ventre de conchas e corais
a gruta onde me esperas
com teus lábios de espuma e de salsugem
os teus naufrágios
e a grande equação do vento e da viagem
onde o acaso floresce com seus espelhos
seus indícios de rosa e descoberta.
2
Não sei de que cor é essa linha
onde se cruza a lua e a mastreação
mas sei que em cada rua há uma esquina
uma abertura entre a rotina e a maravilha
há uma hora de fogo para o azul
a hora em que te encontro e não te encontro
há um ângulo ao contrário
uma geometria mágica onde tudo pode ser possível
há um mar imaginário aberto em cada página
não me venham dizer que nunca mais
as rotas nascem do desejo
e eu quero o cruzeiro do sul das tuas mãos
quero o teu nome escrito nas marés,
nesta cidade onde no sítio mais absurdo
num sentido proibido ou num semáforo
todos os poentes me dizem quem tu és.
Manuel Alegre
...para ti...
domingo, fevereiro 06, 2005
Hoje não te vi. Foste sem mim olhar o mar. Traz-me ondas e espuma nos olhos... traz-me maresia nos teus lábios, areia nas tuas mãos, sal suspenso no lóbulo das orelhas. Traz-me pedaços de vento e pôr-do sol, fragmentos de um sorriso teu embrulhado numa concha que apanhares à beira-mar. Hoje não te vi. Foste sem mim olhar o mar.
Ver-te abraçar o mar com os teus olhos... ver-te emprestar mais ondas às ondas do mar... Ah, mas as tuas são mais perfeitas, mais ondas. Só elas se deixam enrolar nos meus dedos, nas minhas mãos, sem me expulsarem depois de me sacudirem violentamente.
Traz-me vento do mar no teu cabelo, azul marinho pintado nos lábios, algas, conchas, gaivotas voando sobre planícies de mar salgado tingido de azul e verde... Traz-nos uma pedra do fundo do mar, só para nós. Leva-nos para o silêncio, que te quero ouvir respirar. Sim, leva-nos para o silêncio do fundo do mar, que te quero ouvir o que me diz o teu respirar.
Quando voltas? Ainda é cedo? Onde estás? Porque é o silêncio tão pesado e escuro quando não estás? Porque dói tanto não te ouvir sequer respirar?
Ver-te abraçar o mar com os teus olhos... ver-te emprestar mais ondas às ondas do mar... Ah, mas as tuas são mais perfeitas, mais ondas. Só elas se deixam enrolar nos meus dedos, nas minhas mãos, sem me expulsarem depois de me sacudirem violentamente.
Traz-me vento do mar no teu cabelo, azul marinho pintado nos lábios, algas, conchas, gaivotas voando sobre planícies de mar salgado tingido de azul e verde... Traz-nos uma pedra do fundo do mar, só para nós. Leva-nos para o silêncio, que te quero ouvir respirar. Sim, leva-nos para o silêncio do fundo do mar, que te quero ouvir o que me diz o teu respirar.
Quando voltas? Ainda é cedo? Onde estás? Porque é o silêncio tão pesado e escuro quando não estás? Porque dói tanto não te ouvir sequer respirar?
quinta-feira, janeiro 20, 2005
Era inverno
nos teus olhos...
A tua boca sabia
a chuva e a frio,
a neve a a geada.
Era inverno
nos teus olhos...
Só o teu abraço
quente e doce
me aquecia.
Só um beijo teu,
as tuas mãos brancas
de seda, as tuas
pernas triunfantes,
colunas gregas
se anoitece.
Era inverno
nos teus olhos...
Neles espelhado o mar
de dezembro, revolto.
Vaga e maré-viva,
transbordante de
maresia ardente,
ofegante de ti.
Mal cabendo no
inverno dos teus olhos.
nos teus olhos...
A tua boca sabia
a chuva e a frio,
a neve a a geada.
Era inverno
nos teus olhos...
Só o teu abraço
quente e doce
me aquecia.
Só um beijo teu,
as tuas mãos brancas
de seda, as tuas
pernas triunfantes,
colunas gregas
se anoitece.
Era inverno
nos teus olhos...
Neles espelhado o mar
de dezembro, revolto.
Vaga e maré-viva,
transbordante de
maresia ardente,
ofegante de ti.
Mal cabendo no
inverno dos teus olhos.
sexta-feira, janeiro 14, 2005
[outras margens]
Outras margens
de um acordar
entre as margens de neve
dos teus lençóis.
Outras margens
do teu corpo estendido
na areia,
perto do mar.
Rochedo ondulante
batido pela vaga de
um sol de inverno.
Outras margens
do teu corpo nu
coberto de maresia,
escultura de areia
pedindo mais sol.
Outras margens
das minhas mãos,
pedindo outras margens
tuas, só tuas...
A onda azul e verde
não existe se entras
pelo mar adentro.
Desfaz-se em espuma
no teu cabelo,
no teu peito,
nas tuas pernas,
no vento das tuas palavras...
sábado, janeiro 08, 2005
terça-feira, dezembro 28, 2004
segunda-feira, dezembro 27, 2004
traço no papel
a tangente
dos teus sorrisos.
ah...adormecer num rio
e acordar
na tua boca.
e a perfeição elíptica
do desenho dos teus olhos.
indícios de luz fria
nas tuas mãos ardentes
deixar-me perder por sobre
todo o teu corpo...
abandonar-me à textura
do teu acaso,
sermos um cada segundo
desta noite.
Ouvir as cores
de um respirar nocturno
desenhadas no teu peito.
o timbre de seda
do teu beijo,
fulgor assim...
a tangente
dos teus sorrisos.
ah...adormecer num rio
e acordar
na tua boca.
e a perfeição elíptica
do desenho dos teus olhos.
indícios de luz fria
nas tuas mãos ardentes
deixar-me perder por sobre
todo o teu corpo...
abandonar-me à textura
do teu acaso,
sermos um cada segundo
desta noite.
Ouvir as cores
de um respirar nocturno
desenhadas no teu peito.
o timbre de seda
do teu beijo,
fulgor assim...
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