De cor
Conheço o amanhecer
dos teus sorrisos.
Sei de cor todas as cores
que me dizes nas primeiras
palavras da manhã.
Tenho a sede da música
que cantas quando abres
os teus braços para mim.
Bebo cada movimento do
teu cabelo, que parece
não ter fim na doçura
e na magia que se levanta
e voa no ar...
Sei-te de cor,
fecho os olhos e voo contigo.
Sei-te de cor,
abro uma página para ti
todos os dias e escrevo-te
um beijo no ar.
Sei-te de cor no meu
coração, nas minhas mãos,
nas minhas lágrimas...
quarta-feira, setembro 08, 2004
(Blag)
Pensei em ti. Hoje. Desenhei-te, pintei-te, escrevi-te, de mim para mim. Esculpi-te numa pedra de mármore branco, mas um mármore quente e doce, bem diferente de todos os outros. Amei-te, e olha que lá no fundo eu nunca amei tanto assim... Pensei em ti. Sonhei-te, esta manhã, mesmo antes de o Sol me puxar do sono, dos teus braços, hoje mais envolventes da tua ternura. Desvendei-te. Fui descobrindo passo a passo as ondas do teu andar, do teu olhar, do teu mar revolto de segredos. Acordei-te. Acordei-te a meio da noite por te querer de volta, por te querer tanto para mim, por querer tudo o que é teu e tudo o que tocas... Sim, eu sei, acordei-te a meio da noite, mas fi-lo por ter medo de te ter tão longe de mim, por não saber onde estás e por onde andas enquanto dormes. Escrevo-te. Absorvo-te e respiro-te... Dou comigo a pensar em ti com todas as minhas forças, a desenhar-te uma ponte que possas atravesar para me vires dar um beijo. Reinvento-te. Sobrevoo-te. Olho para ti como se te olhasse a última vez antes de partires... Acendo-te. És toda a minha luz, és a vela que acendo para te escrever e para te pensar... Viajo-te, incessantemente, descubro-te de olhos fechados, para te conhecer. Dos teus cabelos aos teus olhos, dos teus sorrisos à pele escura dos teus ombros, imagino-te. E depois amo-te.
Pensei em ti. Hoje. Desenhei-te, pintei-te, escrevi-te, de mim para mim. Esculpi-te numa pedra de mármore branco, mas um mármore quente e doce, bem diferente de todos os outros. Amei-te, e olha que lá no fundo eu nunca amei tanto assim... Pensei em ti. Sonhei-te, esta manhã, mesmo antes de o Sol me puxar do sono, dos teus braços, hoje mais envolventes da tua ternura. Desvendei-te. Fui descobrindo passo a passo as ondas do teu andar, do teu olhar, do teu mar revolto de segredos. Acordei-te. Acordei-te a meio da noite por te querer de volta, por te querer tanto para mim, por querer tudo o que é teu e tudo o que tocas... Sim, eu sei, acordei-te a meio da noite, mas fi-lo por ter medo de te ter tão longe de mim, por não saber onde estás e por onde andas enquanto dormes. Escrevo-te. Absorvo-te e respiro-te... Dou comigo a pensar em ti com todas as minhas forças, a desenhar-te uma ponte que possas atravesar para me vires dar um beijo. Reinvento-te. Sobrevoo-te. Olho para ti como se te olhasse a última vez antes de partires... Acendo-te. És toda a minha luz, és a vela que acendo para te escrever e para te pensar... Viajo-te, incessantemente, descubro-te de olhos fechados, para te conhecer. Dos teus cabelos aos teus olhos, dos teus sorrisos à pele escura dos teus ombros, imagino-te. E depois amo-te.
terça-feira, setembro 07, 2004
Estou além
Estou além... estou Além-Mar. Estou aquém e além de ti. Sorvo-te; toco-te, de novo, outra vez, repetindo os mesmos gestos, voltando sempre ao princípio, para sempre. Estou Além-Mar, na maré que sou e que enche para te ver caminhar na areia ao som da manhã; na onda que sou e que rebenta e se transforma em espuma para te poder beijar... de novo, para sempre.. num suspiro, para sempre.
De que são feitos os teus sonhos? Que terão a dizer as nuvens e pedaços de céu azul que vens pisando para chegar até mim? Quero ver-te... agora. Posso? Faço um voo baixo e triste para fora daqui, mas levo-te comigo, sabendo que te devia deixar escolher onde queres pousar... Mas não, agora não! Agora quero abraçar-te contra o meu coração, ter-te para mim, voar de mim para ti, desabitar-me e mudar-me para onde estiveres!
Sabes-me a maresia, esta noite. Estás Além-Mar. Respiro-te. Fecho os olhos e vejo-te, ondas escuras ao vento, olhos profundos de cor e de luz. Vem-me procurar esta noite, deixa sair as tuas palavras e um beijo teu de maresia para o Sol, para mim... Estou Além-Mar! Estou aquém e além de mim, fujo-me para ti; reencontro-me sempre noutro lugar, quem sabe bem junto a ti, ou no largo estuário azul dos teus sorrisos.
Sei-te. Conheço a tua luz, a tua voz no escuro, as tuas mãos caminhando e cortando o ar. Quis contar um segredo meu ao vento, baixinho, e deixei-o voar para os teus ouvidos, bem longe daqui:
- Escolhe um pôr-do-Sol. É para ti...
Estou além... estou Além-Mar. Estou aquém e além de ti. Sorvo-te; toco-te, de novo, outra vez, repetindo os mesmos gestos, voltando sempre ao princípio, para sempre. Estou Além-Mar, na maré que sou e que enche para te ver caminhar na areia ao som da manhã; na onda que sou e que rebenta e se transforma em espuma para te poder beijar... de novo, para sempre.. num suspiro, para sempre.
De que são feitos os teus sonhos? Que terão a dizer as nuvens e pedaços de céu azul que vens pisando para chegar até mim? Quero ver-te... agora. Posso? Faço um voo baixo e triste para fora daqui, mas levo-te comigo, sabendo que te devia deixar escolher onde queres pousar... Mas não, agora não! Agora quero abraçar-te contra o meu coração, ter-te para mim, voar de mim para ti, desabitar-me e mudar-me para onde estiveres!
Sabes-me a maresia, esta noite. Estás Além-Mar. Respiro-te. Fecho os olhos e vejo-te, ondas escuras ao vento, olhos profundos de cor e de luz. Vem-me procurar esta noite, deixa sair as tuas palavras e um beijo teu de maresia para o Sol, para mim... Estou Além-Mar! Estou aquém e além de mim, fujo-me para ti; reencontro-me sempre noutro lugar, quem sabe bem junto a ti, ou no largo estuário azul dos teus sorrisos.
Sei-te. Conheço a tua luz, a tua voz no escuro, as tuas mãos caminhando e cortando o ar. Quis contar um segredo meu ao vento, baixinho, e deixei-o voar para os teus ouvidos, bem longe daqui:
- Escolhe um pôr-do-Sol. É para ti...
sábado, agosto 28, 2004
Estilhaços ao vento
Viajo uma vez mais entre as folhas do caderno onde escrevo e o cheiro do teu cabelo, dos teus caracóis profundos. Não restam agora mais do que pequenos parrapos tímidos do meu coração, os que sobram da última batalha que travei com os teus doces olhos negros... Cansado, exausto, olho para ti à procura de um canto fresco onde te possa amar descansado. E agora que te peço que me guardes contigo por algum tempo, bem junto a ti, no porto seguro de cada lugar teu, sei-o: não tenho muito tempo para ser só teu.
Hoje, não tenho mais do que pequenos pedaços de vento na minha janela, pedaços teus no meu coração, estilhaços teus abraçados a mim, para sempre. Hoje, voei na doçura de duas madeixas de caracóis que há muito havia perdido. Reencontrei-as esta noite: sorriste. E nos meus lábios o beijo indelével que guardo para ti. Desde sempre.
À noite o vento trespassava o teu cabelo e parecia querer soprar cada fio que caía sobre os teus ombros, com a frescura de cascatas perdidas no meio de florestas insondáveis. Invejo-o, por te poder abraçar sempre, tocar sempre com dedos mais leves que os meus... e que tão docemente te afasta os cabelos da testa, bastando-lhe respirar para te visitar sempre...
Como o mar se precipita para terra,
também eu assim corro para ti...
Viajo uma vez mais entre as folhas do caderno onde escrevo e o cheiro do teu cabelo, dos teus caracóis profundos. Não restam agora mais do que pequenos parrapos tímidos do meu coração, os que sobram da última batalha que travei com os teus doces olhos negros... Cansado, exausto, olho para ti à procura de um canto fresco onde te possa amar descansado. E agora que te peço que me guardes contigo por algum tempo, bem junto a ti, no porto seguro de cada lugar teu, sei-o: não tenho muito tempo para ser só teu.
Hoje, não tenho mais do que pequenos pedaços de vento na minha janela, pedaços teus no meu coração, estilhaços teus abraçados a mim, para sempre. Hoje, voei na doçura de duas madeixas de caracóis que há muito havia perdido. Reencontrei-as esta noite: sorriste. E nos meus lábios o beijo indelével que guardo para ti. Desde sempre.
À noite o vento trespassava o teu cabelo e parecia querer soprar cada fio que caía sobre os teus ombros, com a frescura de cascatas perdidas no meio de florestas insondáveis. Invejo-o, por te poder abraçar sempre, tocar sempre com dedos mais leves que os meus... e que tão docemente te afasta os cabelos da testa, bastando-lhe respirar para te visitar sempre...
Como o mar se precipita para terra,
também eu assim corro para ti...
quinta-feira, agosto 05, 2004
Último Cais
foto de autor desconhecido
Visitar o último cais
dos teus sorrisos,
do teu cabelo.
Um cais deserto
abandonado no alto mar
do teu coração.
Tocado todos os dias
docemente pela espuma
das ondas e pela maresia
quem o vem beijar.
Para lá do pôr-do-sol,
feito de areia, sal,
vento e conchas,
o último cais dos teus
segredos, sobre as ondas
viajantes do nosso
Mar de paixão...
quarta-feira, agosto 04, 2004
Hoje quero sonhar contigo. Sim, quero sonhar contigo a noite toda. Quero deitar-me de noite na areia esquecida pelo Sol e esperar pela primeira aragem quente da manhã. E durante a noite, para não dormir sozinho, vou ter-te bem perto de mim - vou sonhar contigo. Agora que a distância que nos separa é apenas, talvez, um suspiro atirado à maresia dos fins de tarde; agora que nos servimos de todas as cores deste pôr-do-sol para nos olharmos uma última vez; agora que a areia debaixo dos nossos pés aquece a todo o instante, agora... Agora que cada cabelo teu me conta uma história de cinema que nos tem como protagonistas, agora, agora que nos sentamos perto do nosso rio de águas envoltas na névoa clara dos teus beijos. Agora que te quero, como nunca, perto de mim. Respiro agora o ar que trouxe nos pulmões desde a última vez que me deste uma palavra e um sorriso...
Hoje, ocorre-me tropeçar em ti, como se estivesses em cada passo que dou - ou nas minhas pálpebras, que piscam um milhão de vezes quando penso em ti...
foto de Mariana Morna
Hoje, ocorre-me tropeçar em ti, como se estivesses em cada passo que dou - ou nas minhas pálpebras, que piscam um milhão de vezes quando penso em ti...
foto de Mariana Morna
domingo, agosto 01, 2004
Parei o tempo enquanto escrevia, para apanhar uma lágrima que me caía dos olhos... Mas o tempo quis que ela caísse na folha de papel onde escrevo. E morreu perto do sítio onde escrevi o teu nome. Agora, sempre que te leio, há uma outra lágrima a cair onde te tenho, onde por um segundo podes ser minha. Quando te chamo, quando te penso, quando te choro faço-te minha por um tempo, dentro de mim sempre...
Quero cansar-me de nunca me cansar de ti. Esperar que me acendas um sorriso quando não tivermos luz para nós. Desenhar um mapa teu no meu coração, percorrer-te os lábios com os meus... E em silêncio dizer-te o que já sabes, que te amo.
Quero cansar-me de nunca me cansar de ti. Esperar que me acendas um sorriso quando não tivermos luz para nós. Desenhar um mapa teu no meu coração, percorrer-te os lábios com os meus... E em silêncio dizer-te o que já sabes, que te amo.
sexta-feira, julho 30, 2004
Saudade...
Ele queria vê-la. Agora. Ele queria procurá-la, abandonar-se aos passos dela, perseguir a respiração de quem tinha tanto para lhe dizer. Queria perder-se e encontrar o caminho de volta para os lábios dela. Tinha-lhe roubado um sorriso, a medo, primeiro. Depois vieram outros, claro, mas apenas de quando em vez, aleatoriamente, durante muito tempo. Agora todos os dias recebia cartas e encomendas cheias de sorrisos "com muita luz lá dentro". Mas não chegavam, era preciso ir buscar outros sorrisos, aqueles, os primeiros. Depois mais e mais sorrisos, juntá-los aos mais recentes e deixá-los repousar. Repousar? Estranhou. Repousar não! Não se deixam repousar sorrisos! Eles são para se usar, não para guardar num sítio qualquer. Mas agora não era mesmo tempo de usar sorrisos, por isso guardou-os, não num sítio qualquer. O coração não é um sítio qualquer. Serve para guardar sorrisos, entre outras coisas. Tudo o que lhe dizia respeito ele guardava no coração. É o sítio mais seguro, é uma caixa-forte, mas não serve para pôr dinheiro. Não o coração. Lá estavam os lábios dela, os olhos dela, o cabelo, os ombros, os "pois..." dela. Tudo vivia no coração dele, numa agradável e apaixonada vizinhança.
Mas ele queria vê-la. Agora. Agora e sempre. Como o coração não vê, tem de confiar nos que os olhos vêm. "Mas afinal o que é o coração?" - perguntei-lhe. "Não sei." Pois. Ele também não sabia. Sabia só que ele lá estava quando a queria ver. E agora lá batia ele, quase saltando do peito, como se o quisesse desafiar numa corrida, para ver quem chegava primeiro. Pena é que quando assim acontece, nenhum tenha a sorte de ser o vencedor. Ou existe um à partida ou então perdem os dois. Quis andar, caminhar sozinho, ver ninguém cruzar-se com ele. Mas onde podia fazer isso? Dentro dele. Mas como, se a tinha guardado no coração? Não podia estar sozinho. Será que queria mesmo? Não. Ele queria vê-la. Agora. Sentia-lhe as mãos procurarem pelas dele. Irresistívelmente caminhando um para o outro, como duas personagens dos "Episódios da Vida Romântica". Ele próprio via-se como um romântico, mais do tipo fatalista. Queria falar com ela. Vê-la. Não dava. Faltavam alguns minutos e uns pares de segundos. O tempo voava, passava a correr, levado pelo vento leve dos dias quentes de fins de Julho, apenas abrandando com as cores profundas de um pôr-do-sol de Verão. Ele queria vê-la. Correr para ela!
Deixar tudo para trás... "Tudo"? O que era tudo? Mesmo tudo ou quase tudo? Se ficasse com ela, ficaria com mais alguma coisa. O que era bom, no fim de contas. Deixar tudo para trás não era afinal tão mau. O que choca é a radicalidade do "deixar tudo". E ele estava assustado. Não me disse, mas eu sabia que sim, embora ninguém o compreendesse. Quem conseguia prever o que ele pensava, saberia naturalmente que o que ele queria era ser feliz. E ele via uma oportunidade de o ser, pelo menos muito mais tempo do que até então tinha sido. Isso, sim, seria um grande feito! Ele queria tê-la, vê-la todos os dias, olhar para ela indefinidamente, apesar de já não sobrarem nem minutos nem segundos para isso. Pela noite dentro ele chorava. De dia, de noite, chorava. Sozinho. Quando não chorava, desesperava. Friamente, pois ele tinha mudado, aprendera a mostrar muito menos os seus sentimentos, a não mostrar logo as cartas todas. Continuava a sentir muito, claro, mas sabia dosear, embora muito lhe custasse, aquilo que tinha para dizer.
Toda a noite pensava. Ou sonhava. Vivia com tanto "SE..." que chegou a pensar mudar de morada, para um lugar com inquilinos mais calmos e que não levantassem tantos problemas. Mas não. Quis ficar, teria de ficar, pois sabia que no fim de tudo sempre aprenderia qualquer coisa. Mas ele queria vê-la. Ele disse-me, uma noite em que saímos. Isso bastou para que eu perebesse exactamente o que ele verdadeiramente queria e sentia. Queria não ter de se ir embora, queria ficar com ela, queria os amigos... E não queria escolher, porque para ele não se tratava de uma escolha, mas para os outros sim. Depois, foi dormir. Mas dormiu pouco nessa noite. Quase nada. Quando acordou quis vê-la, abraçá-la, olhar para ela como da primeira vez, quase há dois anos atrás. Faltavam ainda menos minutos e quase segundos nenhuns. Era uma contagem descrescente, como a do Ano-Novo, mas não era patrocinada pela Super-Bock. Esta foi patrocinada por lágrimas. Muitas. Se ela gritassem, teriamos de usar algodão nos ouvidos, tal seria o berreiro...
Levantou-se, foi à janela ver se o dia lhe sorria. Mas acabou por não prestar atenção, vidrou os olhos na voz distante mas forte que se apoderara do tímpano, como quem abraça estupidamente um peluche e não o larga. Voltou depois ao novelo que era tudo aquilo que sentia. Voltou a tentar explicar-se, sempre contando com o verde de que se tingia o coração quando sentia que a queria ver. Umas vezes vermelho, outras verde. Sorria sempre que pensava nisto. E aí fica tudo explicado - se ele era assim, também o eram todos os que, como ele, vivam no país da bandeira verde e vermelha. Todos, apenas uns disfarçam melhor que outros.Despediu-se. Quis vê-la um segundo depois. Mandou-lhe uma mensagem, enquanto via televisão. Estou mesmo a imaginá-lo sentado no chão, perto da televisão, de telemóvel na mão, a pensar no que havia de dizer. Não foi difícil. Não teve resposta, mas porque ela não tinha dinheiro. "Melhor assim", disse-me: "Assim pensa mais tempo no que lhe escrevi." Mas ela não sabia de nada... Ele percebia-a, eu sabia. Custava-lhe tanta indecisão, eu sei que custava, mas ele sabia esperar.
Anoiteceu - e ele saiu. Não queria estar em casa, porque em casa podia chorar. Assim, na rua, sabia que não chorava, e isso dava-lhe segurança. Suspirava sempre, de olhar vago e perdido. Estava revoltado. Tinha-se revoltado, tinha esperneado, gritado, mordido os lábios, mas ninguém vira... Não dormiu durante duas noites. Queria vê-la, seguir-lhe os passos, concentrar-se em cada madeixa de caracóis, correr, navegar, estar com ela sempre! Ele queria. Muito. Já não acreditava em "amar". Tinha conseguido. Sempre lutara para deixar de amar. Já não se ama. Já não se chama "amar"... Simplesmente não se dá nome. Há coisas que não devem ter nome. Mesmo ela não devia ter nome. Bastava-lhe sorrir. Esse devia ser o nome dela, ou quem sabe um olhar, um beijo... Ele queria vê-la. Muito. Ele não. EU queria vê-la! Sempre! E grito, e chamo por ela, mesmo que não venha. Não me esqueço, não... Nunca. Choro, também. EU quis correr-lhe os passos, dar-lhe as mãos, tê-la comigo num abraço perdido no tempo e no espaço... E esquecer-me de tudo. EU ousei. Ousem.
Num grito, do Mondego para o Tejo - Quero-te sempre...
quarta-feira, julho 14, 2004
segunda-feira, julho 12, 2004
Olhos
Meus olhos olham
nos olhos os teus olhos...
Ah, doces olhos
que olham os meus.
Olham e olham em silêncio,
nossos olhos.
São olhos que olhamos
e olhos que desejamos,
nos olhos, olhar.
Ah, se eu pudesse olhar
nos teus olhos
como olho para os olhos do mar!
Quiseram meus olhos
respirar teus olhos,
teus olhos sorver,
absorver e reabsorver
teus olhos...
Quiseram teus olhos
acender meus olhos.
Pois os olhos
que são olhos, meu amor,
sabem olhar...
Meus olhos olham
nos olhos os teus olhos...
Ah, doces olhos
que olham os meus.
Olham e olham em silêncio,
nossos olhos.
São olhos que olhamos
e olhos que desejamos,
nos olhos, olhar.
Ah, se eu pudesse olhar
nos teus olhos
como olho para os olhos do mar!
Quiseram meus olhos
respirar teus olhos,
teus olhos sorver,
absorver e reabsorver
teus olhos...
Quiseram teus olhos
acender meus olhos.
Pois os olhos
que são olhos, meu amor,
sabem olhar...
terça-feira, julho 06, 2004
Para ti, o Mar
Acaricío uma vez mais
a doçura das tuas palavras.
A pulsação das tuas sílabas,
um manso prado de águas.
O canto do teu olhar vem-me
seguindo, vem dos lados do mar...
E eu estendo-me ao sol,
no deserto areal de uma praia
num fim de tarde.
Nada está completo sem ti,
sem o silêncio musical dos teus
olhos negros que escutam
a luz da manhã
varrendo o mar...
Quero segurar-me às tuas mãos:
Elas são o sangue
que faz bater o meu coração.
No meu desejo, o sono chegava.
O sono junto a ti, para sempre...
Para mim, o teu olhar quente e doce...
Para ti, o mar...
Ofício triste, o do mar:
trazer-me toda a tua saudade,
que me faz olhá-lo,
à espera que te traga também.
Com as tuas palavras,
com a boca,
com os olhos,
com os dedos,
tenta tocar nos segredos do meu coração.
Outra vez.
segunda-feira, julho 05, 2004
Canto Nocturno
Repousar na cor profunda
dos teus cabelos como quem
se deita no calor da areia,
ao Sol...
Deixar cair a cabeça
no teu colo
e esperar, esperar
ardentemente
por um beijo teu...
Espero por esse sorriso
que tarda em chegar!
Respirar-te durante a noite,
correr à janela
para te ver passar...
Tocar no teu cabelo com os dedos
como se tocasse nas cordas
da minha guitarra...
Gritar, chorar por ti!
Respirar, suspirar...
(Eis a sequência lógica
de corações enamorados)
Ah, como te queria comigo agora!
Sentar-me perto de ti,
olhar-te... sorrir para ti,
chamar por um sorriso teu,
um beijo, uma palavra,
uma lágrima... de ti,
tudo serve para me fazer feliz!
Mas se tudo isso me falta...
Esta noite, quero o escuro
dos teus olhos castanhos.
Quero a seda esfuziante
da tua pele morena...
Sonhar.. sonhar com os caracóis
dos teus cabelos
e neles ver a força
da espuma revoltosa
das ondas do meu Mar-Coração!
Como as ondas se precipitam
para terra,
assim também eu corro para ti...
Envolver-te como nos envolve
o frio da areia
neste noite feita de luar,
da cor inebriante do teu amar...
Para ti...
Para ti, meu amor,
minha estrela da tarde,
o meu canto nocturno..
Existe um lençol de maresia
em cada cantinho
do nosso areal.
Um manto de palavras
feitas de ondas,
de areia,
de marés viajantes.
No nosso lençol de maresia
fomos, de olhos entrelaçados,
descobrindo as nossas palavras...
nelas ouvimos breves suspiros
lançados do outro lado
das ondas do mar.
Hoje, caminhámos descalços
à beira-mar...
Hoje, guardei-te um cantinho
no meu areal...
foto de Paula Morna - Ilha do Sal, Cabo Verde
em cada cantinho
do nosso areal.
Um manto de palavras
feitas de ondas,
de areia,
de marés viajantes.
No nosso lençol de maresia
fomos, de olhos entrelaçados,
descobrindo as nossas palavras...
nelas ouvimos breves suspiros
lançados do outro lado
das ondas do mar.
Hoje, caminhámos descalços
à beira-mar...
Hoje, guardei-te um cantinho
no meu areal...
foto de Paula Morna - Ilha do Sal, Cabo Verde
quinta-feira, julho 01, 2004
quarta-feira, junho 02, 2004
Aurora de recortes
Quis abraçar a tua
onda de seda
que se desvendou
de um recorte teu...
O teu repuxo de
cristais e água...
Uma chama azul
que explode em mim!
Os teus estilhaços
que se apertam contra
o meu coração.
Tu...
A aurora que descansa
em mim todas as manhãs...
A minha estrela cintilante,
o meu outro
sonho,
ondulante...
terça-feira, maio 25, 2004
chuva em mim
Queria guardar uma gota de chuva,
para sempre.
Meus olhos secaram as lágrimas,
as mesmas que me desciam o rosto
e que agora se perderam.
Já não as tenho...
Perdi-as, por ti...
Queria guardar-me
uma gota de chuva,
para chorar
pelo teu regresso,
como choram as nuvens
quando perdem um anjo...
para sempre.
Meus olhos secaram as lágrimas,
as mesmas que me desciam o rosto
e que agora se perderam.
Já não as tenho...
Perdi-as, por ti...
Queria guardar-me
uma gota de chuva,
para chorar
pelo teu regresso,
como choram as nuvens
quando perdem um anjo...
Estrela Minha
Sabes...?
Tenho diante de mim uma estrela.
Vejo-a da minha janela
aberta para a frescura desta noite.
Queria contar-te,
mas quando te sinto perco
as palavras nos bolsos
da minha paixão.
Apenas as reencontro nos sonhos...
Neles, sonho uma estrela de prata,
que brilha à luz do teu olhar.
Brilha, em sonhos feitos das nuvens
que povoam o nosso céu.
Que brilhe sempre para ti,
para que brilhes sempre,
para mim...
Hoje, sonhei uma estrela.
Sonhei-te.
Tenho diante de mim uma estrela.
Vejo-a da minha janela
aberta para a frescura desta noite.
Queria contar-te,
mas quando te sinto perco
as palavras nos bolsos
da minha paixão.
Apenas as reencontro nos sonhos...
Neles, sonho uma estrela de prata,
que brilha à luz do teu olhar.
Brilha, em sonhos feitos das nuvens
que povoam o nosso céu.
Que brilhe sempre para ti,
para que brilhes sempre,
para mim...
Hoje, sonhei uma estrela.
Sonhei-te.
Lágrimas
Caminhaste, olhando o chão...
Correste para te vires sentar
no areal imenso
que beija e abraça as ondas
do mar.
Sentaste-te, olhando para mim.
Quiseste falar,
mas respiraste apenas...
e sorriste.
Uma lágrima saltou,
fugiu caíndo da mágica
negritude dos teus olhos.
Caiu, e foi então que
na areia se abriram dois braços,
dois braços nus,
que a envolveram na quente
ternura da areia.
Entre dois pequenos braços,
a tua lágrima adormeceu.
Olhaste e sorriste...
E eu abracei-te,
para sempre,
sentado na areia que
beija
e abraça as tuas
ondas do mar...
Correste para te vires sentar
no areal imenso
que beija e abraça as ondas
do mar.
Sentaste-te, olhando para mim.
Quiseste falar,
mas respiraste apenas...
e sorriste.
Uma lágrima saltou,
fugiu caíndo da mágica
negritude dos teus olhos.
Caiu, e foi então que
na areia se abriram dois braços,
dois braços nus,
que a envolveram na quente
ternura da areia.
Entre dois pequenos braços,
a tua lágrima adormeceu.
Olhaste e sorriste...
E eu abracei-te,
para sempre,
sentado na areia que
beija
e abraça as tuas
ondas do mar...
quinta-feira, maio 20, 2004
Volta
Salvei-te!
Antes que caísses,
estendi a mão para
te amparar...
Olhaste-me, suspensa.
Os teus olhos abriram-se
então para mim, negros
da paixão
que te aquece o rosto.
E da palma da minha mão
voaste livre,
para o sol imenso
que agora se deita
com o mar.
Salvei-te!
Voaste...
volta!
Antes que caísses,
estendi a mão para
te amparar...
Olhaste-me, suspensa.
Os teus olhos abriram-se
então para mim, negros
da paixão
que te aquece o rosto.
E da palma da minha mão
voaste livre,
para o sol imenso
que agora se deita
com o mar.
Salvei-te!
Voaste...
volta!
A nossa praia
Na praia dos teus sorrisos
deitei-me no imenso areal
ao relento, a chorar...
Nenhuma palavra secará
as minhas lágrimas.
Por isso, espero ainda...
É fresca a noite.
Cubro-me dos mantos
do toque que sinto
do teu respirar...
Ouço um murmúrio soluçar.
"Pergunto ao vento que passa"
notícias do meu amor.
Não responde.
Saberá ele que és doce
e que voas para além
do alto do nosso olhar?
Não sabe.
Sei-o eu...
Sei que desaguas
em mim e abraças
o nosso mundo,
fechando-o em nós,
sorrindo sempre...
Quis dizer-te um segredo
na praia dos nossos ouvidos...
O que disse?
só
eu
sei...
deitei-me no imenso areal
ao relento, a chorar...
Nenhuma palavra secará
as minhas lágrimas.
Por isso, espero ainda...
É fresca a noite.
Cubro-me dos mantos
do toque que sinto
do teu respirar...
Ouço um murmúrio soluçar.
"Pergunto ao vento que passa"
notícias do meu amor.
Não responde.
Saberá ele que és doce
e que voas para além
do alto do nosso olhar?
Não sabe.
Sei-o eu...
Sei que desaguas
em mim e abraças
o nosso mundo,
fechando-o em nós,
sorrindo sempre...
Quis dizer-te um segredo
na praia dos nossos ouvidos...
O que disse?
só
eu
sei...
quinta-feira, maio 13, 2004
Tu...
Encontrei uma sombra no meu deserto desconhecido...
Encontrei-te.
Tenho-te.
No "coração
do meu
coração..."
Encontrei-te.
Tenho-te.
No "coração
do meu
coração..."
terça-feira, maio 11, 2004
Olhares...
Não, não preciso de te tocar...
Basta-me seguir-te com o olhar,
pousar docemente a minha vista em ti,
para que se inunde, para que eu te veja,
apenas...
Sim, ver-te apenas...
Não peço mais, apenas ver-te sorrir...
Depois, pedirei que sorrias para mim...
E então voltarei, voando, porque assim sorriste.
Não, não ouso tocar-te...
Amar-te-ei apenas VENDO-TE sorrir,
na dolorosa distãncia de um olhar,
num céu de cores infinitas,
numa noite quente de luar...
E quando sorrires, num segundo apenas,
meus olhos vão chorar,
por mim.
Eu sei...
Sei desse mar revoltoso que me habita!
Dessa ânsia de te ver, de te encontrar!
de te descobrir, de te desvendar,
de ouvir-te calada, de ouvir-te falar!
de te ter presa, mas voando alto, num olhar...
Num olhar...
em olhares...
AH, doces olhares que faíscam no céu,
doces olhares que me fazem teu!
doces olhares que vejo em ti,
brilhando nos teus olhos,
nos teus olhos negros...
Ah, se eu pudesse abraçá-los,
tê-los para mim, só para mim!
Guardá-los bem no fundo de mim,
no fundo de nós,
só para nós...
Assim, ter-te-ia para sempre...
a ti, aos teus
doces
negros
olhares, doces olhares...
doces...
sexta-feira, maio 07, 2004
"Menina dos olhos tristes"
Música: Adriano Correia de Oliveira
Letra: José Carlos Ary dos Santos
Menina dos olhos tristes,
o que tanto a faz chorar?
O soldadinho não volta
do outro lado do mar.
Vamos senhor pensativo,
olhe o cachimbo a apagar.
O soldadinho não volta
do outro lado do mar.
Senhora de olhos cansados
porque a fatiga o tear?
O soldadinho não volta
do outro lado do mar.
Anda bem triste um amigo,
uma carta o fez chorar.
O soldadinho não volta
do outro lado do mar.
A lua que é viajante
É que nos pode informar.
O soldadinho já volta
está quase mesmo a chegar.
Vem numa caixa de pinho,
do outro lado do mar.
Desta vez o soldadinho
nunca mais se faz ao mar...
segunda-feira, maio 03, 2004
Música de sentir
Hoje amei-te... enquanto não vias.
Hoje amei-te... enquanto me olhavas.
Hoje amei-te... enquanto me amavas...
Ouvi a tua música no silêncio que me habitava. Ouvi, mudo, olhando apenas o escuro do quarto, tacteando à minha frente, a medo, à procura, quem sabe, de um indício teu. Queria o silêncio absoluto, para melhor te ouvir. Escondi-me de mim, não respirei e fechei os olhos. Como era longínqua e fraca a música que sentia... Era como se soubesse que existia, mas não sabia onde... Agora, baralham-se-me as palavras, atropelam-se correndo e tropeçando para me ajudarem a explicar... Mas a explicar o que? Explicar aquilo que só o silêncio e a tua música, que hoje sinto, conseguem explicar.
Canta, canta para mim...
Até te ouvir, não acreditava que tal som pudesse existir, sequer ser pensado, ou sentido...
Da minha paixão, só eu sei.
Do fogo em que ardo, só eu sei.
De ti, apenas música escutei...
Enfim, adormeci... adormeci profundamente, caí num sono de paz, embalado por uma música que mal conseguia perceber... E adormeci. Lá fora, o calor do dia subia em direcção à lua, quem sabe para a proteger de uma noite fria, envolvendo-a em abraços quentes, redobrando o seu brilho, para que nos ilumine em noites de silêncio, como esta.
E não sonhei, dormi profundamente horas e horas, mas sentia que a qualquer momento podia acordar, porque enquanto dormia, ao luar, a tua música foi-se aproximando, tornando-se mais perceptível, mais clara, mais pura... Mas não era ainda o momento, ainda não estava suficientemente perto... faltava ainda.
Eu queria acordar, queria levantar-me para te procurar! Mas dormia ainda... Queria correr, correr atrás dessa música que me fascinava, que me invadia, que me percorria o corpo em sobressaltos! Mas dormia ainda... Era noite...
"A noite passada acordei com o teu beijo...
Cantavas sou gaivota e fui sereia...
Então olhaste, depois sorriste...
Abriste a janela e voaste..."
É dia, foi noite, aqui, ali...
Vieste, cantando, e eu não te vi...
Acordei finalmente, com um beijo quente, que me tirou do sono em que me via preso... Estava preso de mim, estava preso de ti, porque quis procurar-te e não consegui... estava simplesmente preso, se é que se pode estar simplesmente preso... Senti então a tua música aproximar-se, cada vez mais alta, para mim, até que a porta do quarto se abriu diante de ti, diante da tua música, como se ela própria pudesse sentir, em cada veio da madeira, em cada farpa os sons, os tons de que é feita a tua melodia... E porque não?? Afinal, também ela é, foi (que importa?) parte da natureza.. A mesma natureza sublime, Absoluta, que te pôs aqui, a cantar, flutuando, para mim.
Até te ouvir, não acreditava que pudesses existir, não alguém como tu, que me pudesse embalar, deixar num puro estado de sono, mas adivinhando cada passo teu...
E agora escrevo-te, amo-te, escrevo-te de novo! reinvento-te, para que me não possas fugir... E eu sei... não me vais fugir... voltarás sempre, para mim... Agora que te sei, que te ouvi, que escutei a tua música de sentir, quero-te para sempre, cantando, perfeita.. Agora que te conheci, quero-te para mim...
"PARA QUE NUNCA MAIS..."
E cantando saíste pela janela, voando... É já de dia, o sol aquece... voltarás, quando o calor me deixar, nos deixar... E hoje vejo, escuto, sinto, provo a tua música de sentir, doce sempre, quente sempre...
segunda-feira, março 29, 2004
Na escuridão vi uns olhos verdes,
verdes cristalinos aproximarem-se.
Depois, clareou o dia, imenso de luz.
E os olhos verdes desapareceram...
Mas... não os tinha visto eu?
O que foi que eu vi?
(Foi a transparência fugitiva de um mundo,
um outro mundo, que existe como nós,
suspenso, pairando. E de quando em vez
aparece-nos, como hoje a mim,
para que partamos a descobri-lo...)
Mas porque será que nunca ninguém
conseguiu descobri-lo?
Que nos falta a nós para ver de novo
aqueles olhos verdes voando dispersos?
Serão precisos óculos especiais,
uma lente super-potente?
O quê, pergunto eu...
Mas eu deito-me, tomo banhos de luar,
olhos as estrelas em cima; olho para nós,
em baixo...
Comovo-me com tudo isto
que se depara diante de mim...
e tenho esperança...
E de novo vêem os olhos verdes para mim,
sobrevoando-me, levando-me com eles.
E eu vou, infinitamente...
verdes cristalinos aproximarem-se.
Depois, clareou o dia, imenso de luz.
E os olhos verdes desapareceram...
Mas... não os tinha visto eu?
O que foi que eu vi?
(Foi a transparência fugitiva de um mundo,
um outro mundo, que existe como nós,
suspenso, pairando. E de quando em vez
aparece-nos, como hoje a mim,
para que partamos a descobri-lo...)
Mas porque será que nunca ninguém
conseguiu descobri-lo?
Que nos falta a nós para ver de novo
aqueles olhos verdes voando dispersos?
Serão precisos óculos especiais,
uma lente super-potente?
O quê, pergunto eu...
Mas eu deito-me, tomo banhos de luar,
olhos as estrelas em cima; olho para nós,
em baixo...
Comovo-me com tudo isto
que se depara diante de mim...
e tenho esperança...
E de novo vêem os olhos verdes para mim,
sobrevoando-me, levando-me com eles.
E eu vou, infinitamente...
Não, não vás por aí!!
Volta para trás...
Quem te disse que era esse o caminho?
Quando te disse que podias escolher,
não era para ires por aÃ...
Não te ensinaram, por acaso,
que deves escolher sempre o caminho
por onde os outros vão?
Por que é que quiseste ir tu, sozinha, por aí?
Não vás que não podes?
Aqui todos vão por onde todos vão...
É assim... sempre foi, e será...
Os que tentaram, como tu,
não passaram daqui,
foram até onde os deixámos.
Aconteceu-lhes sempre qualquer coisa:
ou foram perseguidos,
ou eram doidos,
ou eram bruxas,
e feiticeiros, e marginais,
desregrados, animais...
Ou sofriam de doenças terminais,
ou foram assassinados,
e foram censurados...
E tudo porque, como tu, quiseram escolher este caminho,
de onde, hoje, te fui obrigado a expulsar...
A culpa não é minha, bem vês...
Uns dirão, a medo, em surdina:
"É o sistema..."
Outros dirão:
"Não chores... Volta para trás,
aceita, resigna-te, esquece.. há-de passar um dia..."
De qualquer modo, a tua palavra não será esquecida,
a TUA tentativa não será esquecida...
viverás aqui, entre todos aqueles que tentaram,
que esperam ainda que os outros (que seguiram, que aceitam)
se esqueçam deles,
para poderem tentar outra vez...
Não desistas,
escolhe o caminho, que eu fecho os olhos...
Liberta-nos...
Volta para trás...
Quem te disse que era esse o caminho?
Quando te disse que podias escolher,
não era para ires por aÃ...
Não te ensinaram, por acaso,
que deves escolher sempre o caminho
por onde os outros vão?
Por que é que quiseste ir tu, sozinha, por aí?
Não vás que não podes?
Aqui todos vão por onde todos vão...
É assim... sempre foi, e será...
Os que tentaram, como tu,
não passaram daqui,
foram até onde os deixámos.
Aconteceu-lhes sempre qualquer coisa:
ou foram perseguidos,
ou eram doidos,
ou eram bruxas,
e feiticeiros, e marginais,
desregrados, animais...
Ou sofriam de doenças terminais,
ou foram assassinados,
e foram censurados...
E tudo porque, como tu, quiseram escolher este caminho,
de onde, hoje, te fui obrigado a expulsar...
A culpa não é minha, bem vês...
Uns dirão, a medo, em surdina:
"É o sistema..."
Outros dirão:
"Não chores... Volta para trás,
aceita, resigna-te, esquece.. há-de passar um dia..."
De qualquer modo, a tua palavra não será esquecida,
a TUA tentativa não será esquecida...
viverás aqui, entre todos aqueles que tentaram,
que esperam ainda que os outros (que seguiram, que aceitam)
se esqueçam deles,
para poderem tentar outra vez...
Não desistas,
escolhe o caminho, que eu fecho os olhos...
Liberta-nos...
"Sê feliz, sê feliz para ti...", disse ele, enquanto olhava pela janela, para o horizonte. No outro lado do quarto, ela, sentada na cama, num canto escuro, sentiu o eco das palavras viajar-lhe o pensamento.
E ali, separados, um na luz, o outro na escuridão, amaram-se profundamente, ligando-se num feixe de luz clara e faíscante...
E ali, separados, um na luz, o outro na escuridão, amaram-se profundamente, ligando-se num feixe de luz clara e faíscante...
Despedida
Direi apenas ao despedir-me:
Adeus, até ao meu regresso...
Partirei enfim distante, sem destino,
para a encruzilhada do Nada,
para o encruzamento do Ser,
da imensidão infinita do interior de todos nós.
Partirei enfim, distante...
Quem ficar, ver-me-á afastando-me
para sempre, talvez, ou para voltar a correr,
chorando ao vento lágrimas pesadas.
Partirei sozinho: não preciso de ninguém ao pé.
Quero ir sozinho, sozinho.
Quero a aventura imaginária isolado de mim,
buscando aquilo que sou,
ou o que todos somos, indiferentes a todos,
retrospectivando as expressões superficiais,
nesses magnÃficos Dias Atlânticos.
Partirei, pois. Partirei sozinho
e direi apenas ao despedir-me:
Adeus, até ao meu regresso...
E que não seja breve o regresso...
Que fique em mim sempre a ânsia de viver,
a ânsia de procurar, de ver-me crescer.
Que fique em mim sempre o Desejo...
Esse desejo das noites de Inverno,
O simples Desejo, o simples desejar...
Mas não queria fazê-lo sozinho...
Eu quero desejar contigo,
a teu lado somente, contigo...
Mas não, não tenho coragem de te pedir.
Não ias querer, não tu.
Eu não te amaria, desejar-te-ia apenas.
Por isso não te levo comigo: deixa-te ficar
Meu anjo... não, não te vou acordar..
Despeço-me de ti com um olhar,
um olhar basta... diz tudo.
Direi, pois, ao partir:
Adeus, até ao meu regresso.
revejo, relembro agora...
Percorro a memória com a própria memória.
Reconstruo um puzzle sem peças,
um muro sem pedras,
uma ponte sem pilares...
Mas afinal, que faço eu?
Não seremos todos
um puzzle sem peças,
um muro sem pedras,
uma ponte sem pilares?
Que é a existência do ser senão
um resumo do Nada?
O que é?
(Não... não tentes perceber,
não tentes... o que importa é esquecer.)
Esquece tudo, e recomeça.
Esquece tudo, e revive.
Esquece tudo, e verás.
Dirás, então, como eu, ao partir,
chorando as lágrimas pesadas
de que te falei:
"Adeus, até ao meu regresso..."
E assim é esquecer,
esquecer é partir, para sempre,
para o vazio do Ser,
para o vazio de Nós...
Direi apenas ao despedir-me:
Adeus, até ao meu regresso...
Partirei enfim distante, sem destino,
para a encruzilhada do Nada,
para o encruzamento do Ser,
da imensidão infinita do interior de todos nós.
Partirei enfim, distante...
Quem ficar, ver-me-á afastando-me
para sempre, talvez, ou para voltar a correr,
chorando ao vento lágrimas pesadas.
Partirei sozinho: não preciso de ninguém ao pé.
Quero ir sozinho, sozinho.
Quero a aventura imaginária isolado de mim,
buscando aquilo que sou,
ou o que todos somos, indiferentes a todos,
retrospectivando as expressões superficiais,
nesses magnÃficos Dias Atlânticos.
Partirei, pois. Partirei sozinho
e direi apenas ao despedir-me:
Adeus, até ao meu regresso...
E que não seja breve o regresso...
Que fique em mim sempre a ânsia de viver,
a ânsia de procurar, de ver-me crescer.
Que fique em mim sempre o Desejo...
Esse desejo das noites de Inverno,
O simples Desejo, o simples desejar...
Mas não queria fazê-lo sozinho...
Eu quero desejar contigo,
a teu lado somente, contigo...
Mas não, não tenho coragem de te pedir.
Não ias querer, não tu.
Eu não te amaria, desejar-te-ia apenas.
Por isso não te levo comigo: deixa-te ficar
Meu anjo... não, não te vou acordar..
Despeço-me de ti com um olhar,
um olhar basta... diz tudo.
Direi, pois, ao partir:
Adeus, até ao meu regresso.
revejo, relembro agora...
Percorro a memória com a própria memória.
Reconstruo um puzzle sem peças,
um muro sem pedras,
uma ponte sem pilares...
Mas afinal, que faço eu?
Não seremos todos
um puzzle sem peças,
um muro sem pedras,
uma ponte sem pilares?
Que é a existência do ser senão
um resumo do Nada?
O que é?
(Não... não tentes perceber,
não tentes... o que importa é esquecer.)
Esquece tudo, e recomeça.
Esquece tudo, e revive.
Esquece tudo, e verás.
Dirás, então, como eu, ao partir,
chorando as lágrimas pesadas
de que te falei:
"Adeus, até ao meu regresso..."
E assim é esquecer,
esquecer é partir, para sempre,
para o vazio do Ser,
para o vazio de Nós...
sábado, março 20, 2004
Eu queria chorar, muito chorar.
Queria chorar de felicidade, chorar de amar.
E queria abraçar-te para não mais te largar,
unir-me a ti num laço invisível,
construir-nos uma amizade indivisível.
E não consigo chorar.
Os sóis nascem e poem-se sucessivamente,
as noites mancham o céu ardentemente...
As marés vão; o sonho vem,
flutuando, pairando no ar suspenso
por fio de côco... mas não cai,
voa sempre, voa sempre...
Voa, como nós, voa...
Simplesmente voa, em voos picados,
em voltas supersónicas... para depois nos bombardear
de esperança, de força, de sonho.
E o sonho constrói o sonho...
E eu queria tocar-te, beijar-te indecentemente,
amar-te simplesmente...
Queria chorar contigo, sonhar contigo,
voar contigo, mas não consigo...
Eu queria chorar, muito chorar!!!
E condensar o mundo num só grito!!!
E moldá-lo, esculpi-lo à nossa maneira...
Desenhar um vale só para ti,
só teu, como um jardim proibído...
Um vale de cascatas, de recantos,
de sons, músicas e profundos prantos..
E amar-te demais, chorar-te!
Mas não consigo...
Por isso choro para dentro, impludo
em lágrimas que caem em mim.
Lentamente, caem no abismo
escuro e sombrio do meu Ser.
Caem para sempre, inundando o meu ver...
Esperam as lágrimas que um dedo teu
as seque, para que a tua luz de ouro cegante
se transforme em diamante,
e acenda de novo o esplendor do meu amor errante...
Agora choro, choro demais, para ti...
correm as lágrimas descendo o meu rosto,
correm teus dedos como nunca vi...
Assim corro eu com força de ti, chorando de mais...
Para ti...
Queria chorar de felicidade, chorar de amar.
E queria abraçar-te para não mais te largar,
unir-me a ti num laço invisível,
construir-nos uma amizade indivisível.
E não consigo chorar.
Os sóis nascem e poem-se sucessivamente,
as noites mancham o céu ardentemente...
As marés vão; o sonho vem,
flutuando, pairando no ar suspenso
por fio de côco... mas não cai,
voa sempre, voa sempre...
Voa, como nós, voa...
Simplesmente voa, em voos picados,
em voltas supersónicas... para depois nos bombardear
de esperança, de força, de sonho.
E o sonho constrói o sonho...
E eu queria tocar-te, beijar-te indecentemente,
amar-te simplesmente...
Queria chorar contigo, sonhar contigo,
voar contigo, mas não consigo...
Eu queria chorar, muito chorar!!!
E condensar o mundo num só grito!!!
E moldá-lo, esculpi-lo à nossa maneira...
Desenhar um vale só para ti,
só teu, como um jardim proibído...
Um vale de cascatas, de recantos,
de sons, músicas e profundos prantos..
E amar-te demais, chorar-te!
Mas não consigo...
Por isso choro para dentro, impludo
em lágrimas que caem em mim.
Lentamente, caem no abismo
escuro e sombrio do meu Ser.
Caem para sempre, inundando o meu ver...
Esperam as lágrimas que um dedo teu
as seque, para que a tua luz de ouro cegante
se transforme em diamante,
e acenda de novo o esplendor do meu amor errante...
Agora choro, choro demais, para ti...
correm as lágrimas descendo o meu rosto,
correm teus dedos como nunca vi...
Assim corro eu com força de ti, chorando de mais...
Para ti...
sexta-feira, março 05, 2004
Escuta... não ouves?
são suaves melodias
entoadas pela frescura da água
que desce este vale e nos abraça...
São ecos moribundos profundos de mágoa
na ternura atlântica de longínquos dias.
Suspiram silenciosamente as árvores deste bosque,
murmúrios para o ar frio da noite atiram!
Será que choram? Será que gritam?
Na sua voz de sempre
chamam por mim e por ti,
tristes, solitárias,
em lentos movimentos imperceptíveis,
agitam os ramos ferozmente como nunca vi...
São muralhas intransponíveis observantes
são entes pensantes,
são prova de amor do que vivi...
Vivem as árvores dos nossos verdes bosques,
vivem em tons de verde princesas da natureza,
vivem presas na terra mas recusam a incerteza...
Escuta... não ouves?
Sou eu que gemo e grito,
sou eu que soluça e chora!
Atiro-me contra as paredes!
Tu evaporas em mim a cada hora,
e adormeces comigo e não te vais embora...
Mas eu pontapeio frenéticamente o ar!
Mordo os lábios para me amordaçar!
Mas vejo-te, sinto-te...
Sonho-te, desejo percorrer os teus caminhos secretos,
desejo o simples desejar,
desejo o clarão da madrugada junto ao mar...
mas desejo apenas um olhar.
Sentado à fraca luz vou escrevendo
simples versos deste amor que vou vivendo...
Escuta... não me ouves?
são suaves melodias
entoadas pela frescura da água
que desce este vale e nos abraça...
São ecos moribundos profundos de mágoa
na ternura atlântica de longínquos dias.
Suspiram silenciosamente as árvores deste bosque,
murmúrios para o ar frio da noite atiram!
Será que choram? Será que gritam?
Na sua voz de sempre
chamam por mim e por ti,
tristes, solitárias,
em lentos movimentos imperceptíveis,
agitam os ramos ferozmente como nunca vi...
São muralhas intransponíveis observantes
são entes pensantes,
são prova de amor do que vivi...
Vivem as árvores dos nossos verdes bosques,
vivem em tons de verde princesas da natureza,
vivem presas na terra mas recusam a incerteza...
Escuta... não ouves?
Sou eu que gemo e grito,
sou eu que soluça e chora!
Atiro-me contra as paredes!
Tu evaporas em mim a cada hora,
e adormeces comigo e não te vais embora...
Mas eu pontapeio frenéticamente o ar!
Mordo os lábios para me amordaçar!
Mas vejo-te, sinto-te...
Sonho-te, desejo percorrer os teus caminhos secretos,
desejo o simples desejar,
desejo o clarão da madrugada junto ao mar...
mas desejo apenas um olhar.
Sentado à fraca luz vou escrevendo
simples versos deste amor que vou vivendo...
Escuta... não me ouves?
sexta-feira, fevereiro 20, 2004
Tu, sempre tu...
Imensamente tu...
Vejo-te de longe, sorrindo,
amando este campo, fugindo.
Sonho mundos flutuantes,
sonho distantes clamores, amantes!
Sento-me por aqui, viajo ali,
voando... cantando e contando
os dias sem cessar... vejo-me de longe,
ao escuro, sozinho, chorando.
Tu, sempre tu...
Imensamente tu...
Um lindo olhar reflectido sobre o luar,
mágico, apaixonante...
Sonhos que sonhei, o que são?
Marés violentas de luz e vida
que nos inundam, talvez, de dor!
Eu quero o fresco clarão do novo dia,
eu quero o sonho inocente de uma criança,
eu quero olhar de novo por um passado,
viver-te em sossego e sonho demorado,
quero despejar as gavetas do Ser
em cima da cama, quero escrever, viver,
eu quero um grito! Quero tudo!
E não quero nada...
Não quero nada.
Que quererei eu da (in)coerência lógica do discurso?
Viver escondido numa manhã abandonada?
E respirar o vento que sopra da nova alvorada?
Tu, sempre tu...
Imensamente tu...
Aproximas-te flutuando no meu espaço vazio,
atiras-me soprando um beijo fugidio,
falas sussurrando, sorrindo, perfumando-me
de um êxtase inebriante, explosivo.
Como manhãs de nevoeiro,
tardes de oiro e noites de negro cetim...
O desejo crescendo, contagiante, puro marfim!
Assim és tu... um lindo verso, obra-prima inacabada.
Imensamente tu, esgotante, um sopro no coração,
interminável no infinito, rainha
e princesa, doce alma de tamanha paixão...
Imensamente tu...
Sempre tu...
[ao som de jacques brel - amsterdam
"Dans le port d´Amsterdam,
Y a des marins qui chantent..."]
Imensamente tu...
Vejo-te de longe, sorrindo,
amando este campo, fugindo.
Sonho mundos flutuantes,
sonho distantes clamores, amantes!
Sento-me por aqui, viajo ali,
voando... cantando e contando
os dias sem cessar... vejo-me de longe,
ao escuro, sozinho, chorando.
Tu, sempre tu...
Imensamente tu...
Um lindo olhar reflectido sobre o luar,
mágico, apaixonante...
Sonhos que sonhei, o que são?
Marés violentas de luz e vida
que nos inundam, talvez, de dor!
Eu quero o fresco clarão do novo dia,
eu quero o sonho inocente de uma criança,
eu quero olhar de novo por um passado,
viver-te em sossego e sonho demorado,
quero despejar as gavetas do Ser
em cima da cama, quero escrever, viver,
eu quero um grito! Quero tudo!
E não quero nada...
Não quero nada.
Que quererei eu da (in)coerência lógica do discurso?
Viver escondido numa manhã abandonada?
E respirar o vento que sopra da nova alvorada?
Tu, sempre tu...
Imensamente tu...
Aproximas-te flutuando no meu espaço vazio,
atiras-me soprando um beijo fugidio,
falas sussurrando, sorrindo, perfumando-me
de um êxtase inebriante, explosivo.
Como manhãs de nevoeiro,
tardes de oiro e noites de negro cetim...
O desejo crescendo, contagiante, puro marfim!
Assim és tu... um lindo verso, obra-prima inacabada.
Imensamente tu, esgotante, um sopro no coração,
interminável no infinito, rainha
e princesa, doce alma de tamanha paixão...
Imensamente tu...
Sempre tu...
[ao som de jacques brel - amsterdam
"Dans le port d´Amsterdam,
Y a des marins qui chantent..."]
sábado, fevereiro 14, 2004
Durante dias e noites, amor, te vejo,
sempre sorrindo, sempre me olhando.
Pois são teus olhos e beijos que desejo,
pois é com o teu amor que ando sonhando.
"E é amar-te assim perdidamente",
como te amo, que me faz viver.
É querer-te assim tão profundamente,
É tocar-te devagarinho que me faz renascer.
Porque tu és luz infinita, tu és vida,
porque tu, sim, és a alma escolhida.
Amar é viver, acreditar e sarar uma ferida!
Que amar seja a nossa missão,
que amar seja o triunfo do coração!
E que um dia me estendas, enfim, a mão!
sempre sorrindo, sempre me olhando.
Pois são teus olhos e beijos que desejo,
pois é com o teu amor que ando sonhando.
"E é amar-te assim perdidamente",
como te amo, que me faz viver.
É querer-te assim tão profundamente,
É tocar-te devagarinho que me faz renascer.
Porque tu és luz infinita, tu és vida,
porque tu, sim, és a alma escolhida.
Amar é viver, acreditar e sarar uma ferida!
Que amar seja a nossa missão,
que amar seja o triunfo do coração!
E que um dia me estendas, enfim, a mão!
sábado, fevereiro 07, 2004
terça-feira, fevereiro 03, 2004
Chuva.. gotas ardentes de veludo e hesitantes,
caÃídas de céus avermelhados e revoltantes,
enchem de novo fulgor meu pobre coração:
procuro, sozinho, alguém que me dê a mão.
Eu canto o vento de uma nova liberdade,
eu vivo vivendo em infinita contrariedade,
eu gritei em silêncio quando me vi perdido!
E choro gritando por um amor sentido...
Sinto de súbito subir-me o sangue,
vermelho, vivo, valendo a vida,
percorro assim meu rosto exangue,
sinto enfim o calor de uma página lida.
Suspiro então teu nome numa canção!
E amo-te assim porque me deste a mão...
caÃídas de céus avermelhados e revoltantes,
enchem de novo fulgor meu pobre coração:
procuro, sozinho, alguém que me dê a mão.
Eu canto o vento de uma nova liberdade,
eu vivo vivendo em infinita contrariedade,
eu gritei em silêncio quando me vi perdido!
E choro gritando por um amor sentido...
Sinto de súbito subir-me o sangue,
vermelho, vivo, valendo a vida,
percorro assim meu rosto exangue,
sinto enfim o calor de uma página lida.
Suspiro então teu nome numa canção!
E amo-te assim porque me deste a mão...
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